Desapegando e se livrando das “coisas”

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Quando criamos consciência sobre o que temos no armário e aprendemos que podemos viver com aquilo o primeiro passo (e até mesmo desejo), é desapegar. Eu acho esse um dos momentos mais essenciais, mas ao mesmo tempo arriscados. Com a ideia de “menos é mais” na cabeça, temos vontade de atirar muitas peças pela janela, inclusive algumas que não deveríamos.

Por isso, algo muito importante antes de começar o descarte, é refletir. Depois de muitas vezes ter dado ou vendido peças que gostava e senti falta depois, aprendi uma técnica muito eficiente: dê um descanso para a sua cabeça.

Quando estamos no fervor do momento de desapego, é muito comum olharmos para roupas que usamos pouco, mas gostamos, ou então servem para determinadas ocasiões, e jogarmos na pilha do “desfazer-se”. Por isso quando nos permitimos pensar antes de começar as doações e vendas, temos a oportunidade de analisar bem nossas escolhas.

Por exemplo: aquela jaqueta super pesada, que você não usa no Brasil, mas usa em viagens ao exterior no inverno. Se você não tem o costume de viajar pelo menos uma vez por ano, realmente não há razão para deixar ela estorvando no seu armário. Agora, se viajar faz parte da sua rotina, nem pense em se desfazer. Essa é apenas uma situação tosca que usei, mas que serve de reflexão. É como sempre digo: é importante lembrar que depois do calor vem o frio. E vamos precisar das roupas.

Mas e do que devemos nos desfazer?

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Não existe uma regra específica pro desapego. Em pesquisas no Google você vai encontrar uma imensidão de técnicas: se desfaça do que não usa há mais de dois anos, se não serve bem a peça deve ir pro lixo, descartar uma peça por dia até que só restem as essenciais… Mas a verdade é que cada um descobre por conta em qual melhor se adapta.

Para mim, a mais eficiente foi a ensinada pela mestre da organização Marie Kondo. Ela propõe quase um diálogo com nossas roupas. Devemos tirar peça por peça de dentro do armário, olhar para cada uma e se perguntar: isso me faz feliz?

Se a resposta for sim, guarde. Se for não, dê um destino digno a ela. Dessa maneia, você verá que cada caso é individual e que guardamos muita coisa sem sentindo, apenas por acharmos que podemos vir a necessitar. Uma roupa só tem utilidade (e vida) quando usada, caso contrário, é só um pedaço de pano.

E depois do desapego feito, como descartar?

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Antes de mais nada analise a qualidade das roupas que você descartou. Eu costumo separá-las por “vender”, “doar”, “descartar”. Os descartes se tornam pano de chão e de tirar pó da estante. As pilhas de doações encaminho para pessoas que necessitam. E as peças para venda, costumo usar dois “caminhos”.

O primeiro deles é oferecer para amigos interessados provarem. Acho que aos poucos as pessoas perdem a vergonha do produto de “segunda mão” e não se importam de ter o que um amigo já teve.

A segunda opção, que dá um pouco mais de trabalho, é vender pelo site Enjoei. Esse é um brechó online, acho que o maior do país, onde você pode comprar e vender roupas e objetos usados ou produzidos por você. Você cria uma conta, fotografa as peças que deseja se desfazer (as fotos precisam ser no mínimo aceitáveis, porque eles fazem uma análise antes), publica na sua lojinha, colocando preço, explicando um pouco do produto, e depois é só esperar os clientes virem.

Um dos fatores bacanas do Enjoei é que eles criam promoções para impulsionar as vendas e você decide se participa ou não. Depois de vendido, é só levar no correio e esperar pela grana (que chega com um desconto da comissão do site). Se sua cidade tiver um brechó físico, essa é outra ótima alternativa para levar as roupas que você pretende vender. As vezes você receberá menos por elas, mas terá menos trabalho.

Ok, já falamos sobre descarte, venda, mas e sobre compras? Isso a gente trata no próximo post!

Você tem o suficiente – o conceito de armário cápsula

armario-capsulaDe nada adianta falarmos sobre sustentabilidade na moda se não pararmos para olhar com atenção o que já temos. Uma coisa é fato: temos muito mais do que precisamos! Faça um passeio mental pelo seu armário e pense em quantas das peças que estão lá você não usa há tempos, ou até mesmo se comprou e nunca usou.

Se sua resposta for “muitas”, é hora de repensar o que está fazendo.

Uma vez ouvi a editora de moda Regina Guerreiro falar que moda é desejo, que ninguém precisa renovar o armário a cada meio ano, mas o mercado faz com que queiramos. E não tem nada de errado nisso, afinal, o nome já diz – é um mercado e ele precisa se sustentar.

Mas e nós, que não somos bobinhos, nem inocentes, nem nada, precisamos embarcar nessa de cabeça?

Se planejarmos um armário que se encaixe na real necessidade de uma pessoa, não passaremos de três blusas (assim dá tempo de uma ser lavada, uma estar em uso e outra de reserva), duas calças/bermudas, um ou dois sapatos (contei com o azar de sair em dia de chuva) e uma peça para se aquecer. Parece pouco, né? Mas é o que precisamos.

Óbvio que se vestir bem é um prazer e isso eleva nossa autoestima pra caramba. Quem não gosta de um elogio por estar mais bonito hoje do que em outros dias? Mas nem por isso precisamos ter todas as últimas tendências no armário, e podemos muito bem nos virar com o que já temos, mesmo reduzindo essa quantia consideravelmente. Quem comprovou isso foi a blogueira Caroline Joy do blog Un-Fancy.

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Cansada dos excessos, Caroline se desafiou e deixou apenas 37 peças no armário. Foram 9 pares de sapato, 9 partes de baixo, 15 blusas, 2 vestidos e duas jaquetas/casacos. O restante que estava em seu closet, guardou em sacos debaixo da cama.

Se comprometeu a revisitar as peças guardadas a cada seis meses (nas trocas de estação) e durante o período junta $ 500, que gasta comprando as peças que considera necessárias para complementar o armário na temporada seguinte.

Mas e a Caroline fez isso à toa? Claro que não! A grande lição que ela tirou é que muitas das peças que ficam lá guardadas por meio ano, na verdade, são desnecessárias. Afinal, se não fizeram falta nesse período, por que fariam depois? E detectou ainda que essa é uma maneira de fazer o descarte do que é desnecessário sem muita pressão, mas de forma orgânica. A roupa só ganha vida quando é usada, por isso, não existe motivo para termos pilhas e mais pilhas paradas no guarda-roupas.

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Talvez você veja o que Caroline fez, mas não se anime a fazer o mesmo (sim, rola um apego, eu sei). Mas caso queira, saiba que é muito menos complicado do que pode imaginar.

A primeira regra dela é de não limitar o número de peças a 37. Cada um deve saber da sua necessidade e fazer a seleção de acordo com isso. Talvez você chegue na metade do trajeto e sinta muita falta de determinada peça, e não é errado recuperá-la, contanto que use. Seu caixa para gastar lá na frente pode variar de acordo com vários fatores, mas lembre-se: ele serve para compras conscientes.

Para quem não consegue desapegar do armário cheio de roupas, a iniciativa de Caroline serve de lição. Comece dando um novo olhar ao que você tem e tente usar aquela peça que está guardada há tempos e as vezes você nem sabe o por quê. Se não conseguir usar, ou não gostar mais, se desfaça sem pena. Na hora de ir às compras, evite adquirir peças novas por impulso, afinal, esse é o pior tipo de compra (e o que mais tende a encalhar peças no armário).

Quando sabemos o que temos e o que realmente gostamos, fica muito mais fácil de otimizarmos nosso guarda-roupas e consumir com sabedoria.

Vai se desfazer de algumas peças? O próximo post fala exatamente sobre isso – e o que fazer com elas.

 

Começando a mudar – o que eu coloquei em prática?

mudancaEssa vida frenética, o consumo exacerbado, o estresse muitas vezes sem motivo, o ódio e a violência gratuita. Automaticamente entramos em uma rotina desgastante fisicamente e também (ou principalmente) psicologicamente. E foi assim que me vi no decorrer do tempo que passei a prestar mais atenção em mim. Cheguei àquele ponto em que me questionei: não seria a hora de mudar? Rever as prioridades e ser feliz com menos?

Já venho colocando isso em prática há algum tempo. Mas no último ano tem sido de maneira mais intensiva. A graça da vida é que nunca alcançaremos a perfeição e estaremos em constante mutação. Portanto, não estou aqui vomitando regras, nem empurrando meu estilo de vida goela abaixo de ninguém. Só compartilharei o que mudei em mim para me tornar uma pessoa melhor perante o que tenho aprendido.

Percebi que o primeiro passo a ser tomado é olhar para o lado e observar que somos um coletivo. Todas as pessoas têm algo para nos ensinar, seja para o bem ou para o mal. E precisamos cada vez mais fazer a diferença positiva. Ter empatia não deveria ser um valor emergente, mas um princípio básico do ser humano. Mas somos tão complicados que tendemos a odiar até mesmo quem não conhecemos.

Óbvio que muitas vezes o santo não vai bater, e temos todo o direito disso, afinal, cada cabeça uma sentença. Ma isso não nos dá liberdade a prejudicar o outro da forma que for, seja tentando derrubar algo que essa pessoa sonha realizar, derrubando a autoestima alheia, criticando… Ah, e pare de julgar! Você não sabe por o que a pessoa está passando, qual  história dela, os motivos para ela ser da maneira que você considera errado (e o que é certo para alguns é errado para outros). Pondere antes de apontar o dedo.

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Nesse sentido, faça escolhas “do bem”. Pense que tudo que fazemos, consumimos, comemos e etc, vai nos afetar em algum setor da vida. Façamos o que sabemos ser correto. Como exemplo uso a pessoa que critica o governo e a roubalheira no Facebook, mas não respeita uma fila, sonega impostos, faz o que pode para “sair por cima” das situações. Mesmo incondicionalmente, passamos a vida fazendo escolhas. E precisamos pensar melhor nelas antes de um “sim” ou “não”.

Respire, reflita, acalme-se. Ariano que sou, por vezes tenho vontade de brigar, mas e o que isso vai acrescentar na minha vida? É claro que existem brigas que valem ser compradas. Mas surgem tantas situações ridículas pelas quais nos indispomos com as pessoas e só depois vemos que não valeu a pena. Aqui, mais do que nunca, se aplica o “contar até 10”. Dar um tempo pro cérebro antes de agir por impulso nos faz pensar melhor e tomar as melhores decisões.

Por último, eu diria: naturalize-se! Serei breve por aqui, porque isso será tema em alguns dos próximos posts, mas quanto menos coisas artificiais consumirmos – e isso vai desde a alimentação até o que vestimos, como nos locomovemos, o que temos em casa – mais garantimos um futuro saudável. Pela primeira vez teremos uma geração que viverá menos que a anterior. E se esse ritmo se tornar natural, em alguns séculos poderemos ter uma extinção da raça humana.

Mudar não é fácil. Somos feitos de hábitos. Mas querer e fazer alguma coisa torna tudo possível e natural.

Demain, um documentário para um novo mundo

Já pensou que os filhos da geração que hoje beira os 30 anos pode viver num mundo onde comida, água e petróleo são escassos? E que dependemos de uma agricultura que prejudica o solo, com pesticidas e venenos; utilizamos água demasiadamente; e o petróleo, além de valer ouro, uma hora vai acabar – e ele é usado pra muita coisa que você nem imagina! Foi ao saber disso que os cineastas Cyril Dion e Mélanie Laurent decidiram criar o documentário Demain, que em francês significa “amanhã”.

poster-demainSabendo que as pessoas estão cansadas de ouvirem falar dos problemas do mundo, decidiram fazer diferente. Rodaram o mundo atrás de quem faz a diferença em aspectos ambientais, sociais, políticos e educacionais. A ideia é mostrar que, de maneira simples, se cada um fizer a diferença na sua comunidade, aos poucos fazemos do mundo um lugar melhor.

Um dos exemplos mostrados é da cidade de Detroit, nos Estados Unidos, que depois de se tornar extremamente desmatada, apostou no incentivo à população na criação de hortas urbanas e nas hortas comunitárias espalhadas pela cidade (e que deseja ter a maior fazenda urbana do mundo). Outro é de uma comunidade da Índia que colocou Dalits para serem vizinhos de pessoas de uma casta considerada superior, a fim de criar integração e espírito de comunidade entre pessoas que, tradicionalmente, seriam inferiores X superiores.

Assistir às quase duas horas do documentário é inquietante. Ver que ações por vezes simples podem fazer a diferença e que ainda não é tarde para mudarmos, nos faz ter vontade de começar pelo próprio quintal, pelo consumo consciente de água e energia elétrica, por uma alimentação mais natural, sabendo que o alimento produzido na nossa cidade, de maneira orgânica, não é apenas mais saudável para nossa saúde, mas também para o mundo.

É possível fazermos um amanhã diferente e muito feliz!

O que estamos fazendo com o nosso tempo?

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Com certeza você conhece alguém que nunca tem tempo pra nada, está sempre atrasado, com prazos estourados, sem um segundo pra sentar e conversar. Isso se essa pessoa não for você mesmo. Quando foi que 24 horas passaram a correr tão rápido? Por que esse elemento tão valorizado, mas tão intangível, simplesmente passa sem percebermos? O que estamos fazendo com o nosso tempo?

Hoje caiu no meu colo a seguinte citação da autora Mia Couto: “É uma queixa comum que ‘não temos tempo pra nada’, mas nós não precisamos de mais tempo, precisamos sim de um tempo que seja nosso. Não é uma questão de quantidade, mas de autonomia. Seremos soberanos da nossa própria vida se soubermos reencontrar, redescobrir esse namoro e essa intimidade com o tempo. Essa relação íntima é algo altamente subversivo. E é tão perigoso quanto qualquer ato de indignação pública. Nos dias de hoje, a preocupação não é tanto viver essa intimidade do instante, mas registrar o que se está a suceder em uma imagem, numa fotografia, num vídeo. Não estou a fazer uma apologia nostálgica do passado e ninguém pode negar as vantagens óbvias dessas tecnologias, mas a questão é outra: é saber se nós guardamos o nosso lugar de autor de uma narrativa que possa nos fazer mais humanos, mais coletivos e mais solidários.”

Isso me fez pensar muito o dia todo. Me fez refletir sobre o que estou fazendo com o meu tempo. E não são só as 24 horas do dia ou período de trabalho. Mas o tempo da vida. Somos condicionados a pensar que as conquistas virão por consequência de muito trabalho. Então, trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos. As conquistas materiais chegam (ao menos a quem tem sorte) e o que fazemos com elas? Expomos. No mundo moderno, com essa ferramente incrível chamada internet, todos podemos comunicar o que bem entendemos. A chamada ostentação está ai. E pra que? Para mostrarmos ao mundo o que conseguimos trocando nosso tempo por dinheiro – ou queremos fazer parecer que conseguimos.

Há tempos assisti esse vídeo do ex-presidente uruguaio Jose Mujica. Em pouco tempo, com certeza, ele te fará repensar tua relação com conquistas e tempo. Ganhe tempo e assista:

O pensamento de que todo o dinheiro que conquistamos vem do tempo que gastamos é no mínimo inquietante. Passamos mais da metade dos anos da nossa vida trabalhando. Nos dedicamos às conquistas que nos disseram serem certas. Tenha uma carreira, tenha um bom carro, tenha uma casa branca com janelas azuis… TENHA. Mas por que gastamos tanto tempo para “ter” e tão pouco para “ser”?

Administrar o tempo é um desafio, sem sombra de dúvida. Tanto que o que não falta por ai são técnicas para isso. “Faça listas”, “Cumpra metade das tarefas pela manhã”, “Esquematize uma agenda”… Existe até gente que ganha dinheiro organizando o tempo de outras pessoas. Loucura, né? A verdade é que o mundo moderno exige que façamos tantas coisas ao mesmo tempo que esquecemos de focar no essencial: fazer uma coisa por vez.

Dia desses, conversando com amigas, falamos disso. A reclamação mais comum foi que recebemos tanta informação e estímulo ao mesmo tempo que manter o foco se torna um desafio. Pudera, você precisa saber de assuntos do seu trabalho, dar conta da vida pessoal, estar bem informado sobre as notícias do mundo, pensar no que vestir, no que comprar, nem conquista bem uma coisa e já está de olho na próxima. Sendo que, desde crianças, ouvimos: uma coisa de cada vez.

É desafiador, mas essencial voltarmos aos básicos. Viver o momento, com foco naquilo que estamos fazendo, afinal, tudo nessa vida é uma construção que acarretará em algo bom ou ruim, seja logo ali na frente, ou daqui um tempão. Pensarmos que o tempo gasto não volta e que nem sempre a conquista material é a melhor recompensa.

Quando foi a última vez que você tomou um café com seus amigos? E se deu ao luxo de simplesmente sentar e esperar, sem olhar pro celular, agenda, ou sentir remorso? Esperar o que? Seja o ônibus, a fila, o tempo passar… Olhe ao redor. Veja quem e o que está a sua volta. Invista seu tempo naquilo que vai fazer a diferença no seu “ser”, e não no “ter”. Como bem dizem os italianos: il dolce far niente!

E faça isso antes que seja tarde, porque, roubando a citação de Mujica: tudo se compra, menos o tempo.

O que eu aprendi sobre a yoga (e sobre eu mesmo) praticando

yoga-1A história inicia da seguinte maneira: há mais ou menos um ano, uma amigona minha, a Carol Leipnitz, começou a dar aulas de yoga. Desde então ela me convidava para fazer pelo menos uma aula experimental e ver como me sairia. Pra reiterar, outra amiga dizia há meses que estava praticando e amando a técnica que, segundo ela, fez mudar a percepção de muitos fatores da vida.

Fui deixando, porque morria de medo de não me dar bem (sim, sou desses que se se sentem inseguros, simplesmente travam). Os movimentos, a força, e a própria energia que tu precisa estar numa aula dessas me apavorava de uma maneira inenarrável. Há um mês atrás, em meio a um turbilhão de emoções e vários hábitos de vida mudados, decidi finalmente participar de uma aula e ver no que daria.

Dias antes havia ouvido um relato de uma pessoa que afirmou ter mudado toda sua vida desde que começou a praticar yoga na adolescência. Passou a prezar pelo natural, mudou alimentação, passou a consumir conscientemente… Fatores que há tempos tenho tentado inserir na minha vida.

Foi o momento de eu dizer: deixa o medo de lado, e vai!

yoga-2Entrei na primeira aula aflito. Pessoas diferentes, numa sala com luz baixa e música relaxante. Tudo aquilo que no dia a dia a gente sabe que ajudaria, mas não faz, entende? O primeiro mito/preconceito que derrubei foi: yoga não se trata apenas de relaxamento (falo sobre isso mais a frente), mas também de uma força inacreditável. Mesmo respeitando seus limites, é feito um esforço.

A prática se trata acima de tudo de consciência corporal. É você conhecer seus limites, ir até onde seu corpo suporta e focar em você durante aquele momento. Quantas vezes simplesmente respiramos sem prestar atenção no que estamos fazendo? Pois durante aquela uma hora prestamos (e muita)! Respirar é fundamental e ajuda em tudo, principalmente na concentração.

Um dos meus maiores desafios (que eu inclusive acabei de desabafar com a Carol) é na concentração. Chegar uns minutos antes, esquecer da existência do celular, de trabalho, de brigas, já ajuda. Mas a maior disputa é interior e lá é o lugar pra se entender consigo mesmo. Aplicar a respiração correta e fazer os movimentos lentamente ajudam a relaxar e por mais que você tenha problemas e pense neles, parece que a maneira de lidar se torna diferente.

Sobre o relaxamento, saio das aulas me sentindo mais leve. Estar “de bem” consigo mesmo faz o mundo parecer melhor. Passamos a olhar mais para dentro, a se conscientizar mais, a respirar tranquilamente, prestando atenção nesse ato vital, que fazemos de maneira automática. Enfim, o relaxar é reflexo da conscientização vinda com a prática.

Estou há apenas um mês nesse mundo de yoga, mas já percebo as diferenças. Não passei vergonha e é tranquilizante saber que por mais que me desequilibre ninguém vai julgar, porque a prática não é uma competição.

Home office: vantagens e desvantagens

Como tudo na vida, trabalhar em home office tem seus pontos positivos e negativos e o julgamento depende da sua adaptação. Trabalho em casa há um ano e meio e, mesmo sabendo que não posso simplesmente parar tudo que estou fazendo pra assistir um episódio da minha série favorita, demorei um pouco a me adaptar. Da experiência, tirei conclusões que hoje valem como dica pra quem quer ou precisa ingressar nesse modelo de trabalho cada vez mais comum em todo o mundo.

O que acontece é que, com tanta crise financeira rolando por ai, quanto mais custos puderem ser reduzidos, melhor para a empresa. E, convenhamos, nem todo negócio precisa ter um espaço físico que custa aluguel/luz/água/condomínio fixos… Por isso que muitos empresários estão incentivando seus funcionários a trabalharem em casa, e novas empresas estão surgindo desta maneira – que é o meu caso.

Trabalhei “fora” a vida toda. De 2011 a 2015 minha rotina era em jornal e sempre trabalhei lá presencialmente, mesmo se fosse pra fazer alguma matéria pequena. Quando mudei de funcionário para proprietário, até mesmo por não ter verba, precisei começar em casa. E cá estou, com o meu canto dentro do quarto, onde trabalho todos os dias.

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Dicas gerais

Acho que antes de falar em pontos positivos ou negativos, cabe dar algumas dicas gerais para quem quer ingressar no home office. A começar por criar uma rotina. Como já disse, não rola de simplesmente parar o trabalho pra fazer qualquer outra coisa. Óbvio que uma agenda flexível é muito bom, mas tente estabelecer um horário de funcionamento e organizar uma agenda diária. Isso facilitará muito a sua vida e evitará que trabalhe nos momentos que gostaria de estar descansando.

Outro detalhe que fez muita diferença pra mim foi me vestir como se fosse trabalhar fora de casa. Coloco uma roupa confortável, mas arrumada. Isso faz com que me sinta trabalhando e não saindo da cama para a frente do computador. Nos dias de maior preguiça fico com o pijama (ninguém é perfeito), mas meu rendimento é desastroso.

Monte um espaço de trabalho, e sempre que tiver algo para fazer, vá para lá. E depois do horário, esqueça que ele existe. Ele deve servir para trabalhar e não lanchar, assistir Netflix, jogar baralho e afins. Minha mesa de trabalho é dentro do meu quarto, quase do lado da cama, mas depois que termino as funções do dia, esqueço que ela existe (inclusive levo o laptop para a cama ou coloco num banquinho se quero assistir algo nele). É como se batesse e trancasse a porta do escritório.

Pontos positivos

São tantos! Mas o maior deles é que não perdemos aquele tempo de deslocamento casa-trabalho-trabalho-casa, sem contar o intervalo de almoço. Nisso a gente já ganha pelo menos uma hora. Sem contar que evita estresse de trânsito e afins.

Outra vantagem é a agenda se tornar mais flexível. Aqui vou citar como um ponto a favor, mas também é contra, aguardem! Você pode estabelecer os horários mais loucos para trabalhar e aproveitar seu dia para fazer o que bem entender. Por exemplo, eu consigo fazer academia às 8h 30min em três dias da semana (a não ser se tiver uma reunião ou compromisso marcado com algum cliente), yoga nas terças às 17h, ir ao mercado quando necessito, receber visitas de vez em quanto… Mas não esqueço de trabalhar!

Dá pra economizar uma baita grana. A começar pra quem tem uma empresa e não precisa pagar aluguel, chegando ao almoço que, ao invés de ir num restaurante ou pegar uma “quentinha”, pode deixar pronto e só aquecer quando sentir fome. Além de não gastar com transporte.

Seu escritório será como você quiser. Como não tem chefe mandando, você pode decorar como bem entender. Quer colocar a cafeteira do lado do computador? Por que não? Essa é uma das minhas partes favoritas, afinal, pela primeira vez minha “sala” tem a minha cara.

Pontos negativos – ou não tão positivos

Vou começar falando da questão da agenda mais flexível. Assim como é uma vantagem, pode ser desvantajoso estar em casa. Não dá pra pensar que você vai poder fazer tudo que bem entender, como se a vida fosse uma festa. O que você deixar de fazer hoje, vai estar lá te esperando amanhã, como em um escritório habitual. E acúmulo de trabalho é o primeiro passo pra nos enrolarmos e entrarmos em pânico. Por isso as palavras de ordem são: organização, agenda, cronogramas, metas… Descubra a maneira que você melhor se adapta para distribuir vida pessoal e profissional.

Se você mora com outras pessoas, principalmente que estão em casa durante o horário que você trabalha, há o risco de isso te desconcentrar. Para alguns isso não é problema, mas pense que é como se você tivesse um colega de trabalho que não faz nada e ainda fica puxando papo contigo. Crie uma maneira de se fechar para o mundo quando tiver compromissos importantes ou prazos estourando.

Não esqueça de viver! Ter o ambiente de trabalho mais perto do que o habitual é um risco para esquecermos que temos vida. Conheço gente que começa a trabalhar quando acorda e só para quando vai dormir. Chega um ponto que estar em casa é o mesmo que viver em um escritório. Portanto, é mais do que ideal ter um tempo para si, sair pra fazer um exercício, ver amigos, dar uma volta… Dai a importância de criar uma rotina e uma agenda e deixar tudo para trás quando chega determinado horário (que não precisa ser o comercial. Tem gente que opta por trabalhar de madrugada e se dá muito bem com isso).

Um dos fatores que eu mais sinto dificuldade é o de não ter um espaço para receber clientes. Receber pessoas em casa nem sempre é bom, principalmente se temos vida real e as vezes (sempre) tem algo fora do lugar, e você não tem uma sala de reuniões. Existem algumas soluções. Se seu cliente não tiver um espaço próprio, você pode marcar seus encontros num café ou numa casa de chá. Ou então, alugar uma sala de reuniões em um coworking, que já tem toda a estrutura pronta.

Ter um home office pode ser tão bom quanto ruim. Assim como muitas pessoas adoram (eu me incluo nisso), outras não se adaptam. É uma questão muito pessoal, que você precisa testar antes de começar pra valer e sentir se é para você.

Abraço!