Conheça e desenvolva seu estilo

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Sim, seu estilo é sua identidade. Sabe aquele papo de que com a roupa passamos uma mensagem para o mundo? É a mais pura verdade. Através do que vestimos demonstramos quem somos, o que gostamos, a qual “tribo” pertencemos. E isso muda com o tempo, não se preocupe.

Começamos a desenvolver o estilo pessoal na adolescência, quando queremos nos vestir para pertencer a um grupo. A partir dai, vamos somando as necessidades com inspirações visuais e nossa vivência. Pode ter certeza que algo do que mamãe te fazia vestir na infância, vai continuar fazendo parte do seu visual depois de adulto.

Dou pouca bola para as definições de livros. Romântico, básico, sensual… Acredito cada vez menos que uma pessoa possa ser definida dessa forma, mas sim que nosso estilo é uma soma de tudo que passamos na vida. E é pra isso que fiz esse post. Pra ajudar quem não está se encontrando em meio a tantas definições vagas.

Vamos começar pelo mais básico: as referências.

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Lá na adolescência, quando começamos a desenvolver nossa própria personalidade, as afinidades vêm por assuntos em comum. É o grupo que curte a mesma banda, que frequenta os mesmos lugares, pratica o mesmo esporte, lê o mesmo estilo de livros… E desde lá vamos acumulando referências que colaboram para nossa bagagem visual.

E geralmente é ai que surge a raiz do nosso estilo pessoal. Vamos “lapidar” o visual com o tempo, mas se você passou a adolescência toda usando preto, pode ter certeza que isso vai te acompanhar por muito tempo.

Antes disso, temos as referências familiares. Quem não lembra das roupas da mãe, do pai, dos avós, das amigas da mãe? E isso se torna uma herança visual pouco valorizada na juventude, mas que quanto mais o tempo passa, mais utilizamos.

Nesse passo da definição do estilo pessoal, o ponto é: crie um painel de inspirações visuais. Seja no celular, numa página de caderno, num cartaz… Junte imagens de pessoas que você considera bem vestidas, de estilos e peças de roupa que te agradam, de famosos que você acha estilosos. Essa soma vai dizer muito sobre quem você é e o que você realmente gosta.

Mas nessa etapa, seja 100% sincero consigo mesmo.

Crie painéis no Pinterest. Veja pessoas com peças semelhantes às que você tem. Fotos de street style com roupas usadas de maneira que você acha legal. E até mesmo aquilo que está distante da sua realidade, mas que por algum motivo te agrada.

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Essa pergunta é determinante para definir seu estilo. Por exemplo, de nada adianta uma pessoa caseira ter a maior parte do armário com roupas de festa e pouco se importar com o que veste em casa.

Preste atenção na sua rotina. O horário que sai pro trabalho – se é que sai, e não faz home office – e quando volta. Qual seu ambiente profissional? Costuma emendar eventos e happy hours? Vai a muitas festas? Enfim, a vida que você realmente tem, e não a que deseja.

Esse passo é essencial por dois motivos:

Primeiro, você será capaz de pensar o look com antecedência, tornando sua rotina mais prática na hora de vestir. Por exemplo, se for passar o dia trabalhando e à noite tiver um evento para ir e não tiver tempo de passar em casa, já planeje um outfit que, apenas com algumas pequenas modificações, se adaptará às duas situações.

Segundo, se você é uma pessoa que corre para cima e para baixo o dia todo e necessite de conforto, não tem porque ter mais sapatos de salto do que sapatilhas e tênis (e vice-versa)

Portanto, qual é sua real rotina?

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Eu diria que essa é a parte mais divertida de todas, a adaptação. Por exemplo, se você colocou no painel de inspirações a Lady Gaga, mas sabe que a vida não é um show, adeque o que ela veste à sua realidade. Ao invés de um vestido todo bordado de paetês, coloque um detalhe no look com brilho.

Faça um balanço do que você gosta (desejo), com o que você precisa (realidade). Pode ser que seu desejo seja andar de pijama 24 horas por dia, e isso pode ser traduzido em roupas com modelagens mais amplas e tecidos super confortáveis, arrematado com sapatos baixos.

Pense em tudo que você curte visualmente de maneira adaptável à sua realidade. Com o tempo isso passará a ser um hábito e fará sem sequer perceber. Ah, e claro, mantenha dentro do armário apenas aquilo que realmente usa.

Conhecer seu estilo pessoal é otimizar as roupas que temos, fazer as compras valerem e ter uma vida mais leve e autêntica. E não leve tanto em consideração o que os mandões por ai dizem sobre o que é ser elegante. A maior elegância está em sermos autênticos.

Compre, mas com sabedoria

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Engana-se quem pensa que, ao nos tornarmos mais conscientes, precisamos obrigatoriamente deixar de comprar roupas. Tanto que o próprio conceito de armário cápsula tem um caixa para compras na troca de temporada. O que acontece é que, ao tomarmos consciência do que compramos, observamos tudo com outros olhos.

Por exemplo, você não vai se jogar em qualquer liquidação, comprando uma peça de roupa que você não precisa. Afinal, já sabemos: o que temos é suficiente e qualquer coisa além disso será excesso.

Sempre digo que liquidações servem para duas coisas: a primeira, buscarmos por peças que usaremos por muito tempo. A segunda: adquirirmos as tendências que desejamos por muito tempo, mas por acharmos caro não compramos antes.

E em compras normais, o que levar em consideração?

Vários fatores são determinantes para você escolher uma peça de roupa que valha o investimento. Muito além de preço, marca e estilo, precisamos observar os detalhes (lembre-se, Deus e o diabo habitam neles).

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A arara é um parque de diversões pra quem ama comprar. E é ai que mora o perigo. As lojas pensam na melhor exposição para te fisgar e levar a gastar. Não pense que isso é errado, afinal, o objetivo de uma loja é qual além de vender?

Antes de sairmos pegando todas as peças para provar, pense em qual realmente se encaixa no seu estilo. Naquele mar de opções, nem tudo é a sua cara e é comum selecionarmos por impulso. Por isso, antes de mais nada, saiba do que realmente gosta.

Depois, pense no que você já tem no armário e se questione se a peça selecionada combinará com pelo menos mais três. Mas nada de básicas como blusas brancas e calças jeans. Pense em estampas e cores. Não dê chances para uma compra desnecessária. Ir à loja sabendo o que já temos é bom, inclusive, pelo fato de evitarmos de comprar peças muito semelhantes às que já temos.

Uma estratégia muito indicada (e já famosa) é a de ver as roupas que curte e dar uma volta, tomar um café ou esperar até o outro dia. Se ela continuar na sua cabeça e você se convencer de que realmente precisa, pode voltar à loja e comprar, porque o desejo pode ser um bom guia.

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Os provadores não existem por acaso. Sou contra comprar uma roupa sem prová-la, e a chance de errar é muito maior. Lembre-se que as lojas brasileiras não são obrigadas a efetivar trocas a não ser que as peças tenham defeito. Portanto, se você ficar à mercê do lojista, corre o risco de ter uma roupa encalhada no armário.

Mas vamos lá… Você se divertiu na arara, escolheu suas peças preferidas e se fechou dentro do provador. Prove tudo com calma, afinal, é de graça. Em primeiro lugar, veja o caimento. Ele deve ser perfeito, o tecido deve “abraçar” seu corpo e valorizar o que você tem de melhor. Se ficar repuxando de um lado, num comprimento desconfortável, ou que você simplesmente não se sinta à vontade, deixe de lado.

A peça ficou boa? Ok, vamos ao segundo passo. Provavelmente você sabe diferenciar um tecido bom de um ruim. O de qualidade é aquele que sabemos que vai durar por muito tempo se lavarmos da maneira correta e mantivermos bem armazenado, afinal, você não vai lavar uma seda na máquina e guardar de qualquer jeito, né – cuide do que tem.

Vire a peça do avesso. Confira todas as costuras, se estão firmes, veja os acabamentos. Acredite, a roupa deve ser tão bonita “por dentro” quanto “por fora”.

Comprar com consciência, sabendo do que realmente precisamos, faz toda a diferença. Depois disso, é só incrementar os looks. Ah, viu que falei sobre conhecer o próprio estilo? Vou me aprofundar um pouco nesse assunto no próximo post, muito além dos clichês que conhecemos.

Desapegando e se livrando das “coisas”

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Quando criamos consciência sobre o que temos no armário e aprendemos que podemos viver com aquilo o primeiro passo (e até mesmo desejo), é desapegar. Eu acho esse um dos momentos mais essenciais, mas ao mesmo tempo arriscados. Com a ideia de “menos é mais” na cabeça, temos vontade de atirar muitas peças pela janela, inclusive algumas que não deveríamos.

Por isso, algo muito importante antes de começar o descarte, é refletir. Depois de muitas vezes ter dado ou vendido peças que gostava e senti falta depois, aprendi uma técnica muito eficiente: dê um descanso para a sua cabeça.

Quando estamos no fervor do momento de desapego, é muito comum olharmos para roupas que usamos pouco, mas gostamos, ou então servem para determinadas ocasiões, e jogarmos na pilha do “desfazer-se”. Por isso quando nos permitimos pensar antes de começar as doações e vendas, temos a oportunidade de analisar bem nossas escolhas.

Por exemplo: aquela jaqueta super pesada, que você não usa no Brasil, mas usa em viagens ao exterior no inverno. Se você não tem o costume de viajar pelo menos uma vez por ano, realmente não há razão para deixar ela estorvando no seu armário. Agora, se viajar faz parte da sua rotina, nem pense em se desfazer. Essa é apenas uma situação tosca que usei, mas que serve de reflexão. É como sempre digo: é importante lembrar que depois do calor vem o frio. E vamos precisar das roupas.

Mas e do que devemos nos desfazer?

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Não existe uma regra específica pro desapego. Em pesquisas no Google você vai encontrar uma imensidão de técnicas: se desfaça do que não usa há mais de dois anos, se não serve bem a peça deve ir pro lixo, descartar uma peça por dia até que só restem as essenciais… Mas a verdade é que cada um descobre por conta em qual melhor se adapta.

Para mim, a mais eficiente foi a ensinada pela mestre da organização Marie Kondo. Ela propõe quase um diálogo com nossas roupas. Devemos tirar peça por peça de dentro do armário, olhar para cada uma e se perguntar: isso me faz feliz?

Se a resposta for sim, guarde. Se for não, dê um destino digno a ela. Dessa maneia, você verá que cada caso é individual e que guardamos muita coisa sem sentindo, apenas por acharmos que podemos vir a necessitar. Uma roupa só tem utilidade (e vida) quando usada, caso contrário, é só um pedaço de pano.

E depois do desapego feito, como descartar?

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Antes de mais nada analise a qualidade das roupas que você descartou. Eu costumo separá-las por “vender”, “doar”, “descartar”. Os descartes se tornam pano de chão e de tirar pó da estante. As pilhas de doações encaminho para pessoas que necessitam. E as peças para venda, costumo usar dois “caminhos”.

O primeiro deles é oferecer para amigos interessados provarem. Acho que aos poucos as pessoas perdem a vergonha do produto de “segunda mão” e não se importam de ter o que um amigo já teve.

A segunda opção, que dá um pouco mais de trabalho, é vender pelo site Enjoei. Esse é um brechó online, acho que o maior do país, onde você pode comprar e vender roupas e objetos usados ou produzidos por você. Você cria uma conta, fotografa as peças que deseja se desfazer (as fotos precisam ser no mínimo aceitáveis, porque eles fazem uma análise antes), publica na sua lojinha, colocando preço, explicando um pouco do produto, e depois é só esperar os clientes virem.

Um dos fatores bacanas do Enjoei é que eles criam promoções para impulsionar as vendas e você decide se participa ou não. Depois de vendido, é só levar no correio e esperar pela grana (que chega com um desconto da comissão do site). Se sua cidade tiver um brechó físico, essa é outra ótima alternativa para levar as roupas que você pretende vender. As vezes você receberá menos por elas, mas terá menos trabalho.

Ok, já falamos sobre descarte, venda, mas e sobre compras? Isso a gente trata no próximo post!

Você tem o suficiente – o conceito de armário cápsula

armario-capsulaDe nada adianta falarmos sobre sustentabilidade na moda se não pararmos para olhar com atenção o que já temos. Uma coisa é fato: temos muito mais do que precisamos! Faça um passeio mental pelo seu armário e pense em quantas das peças que estão lá você não usa há tempos, ou até mesmo se comprou e nunca usou.

Se sua resposta for “muitas”, é hora de repensar o que está fazendo.

Uma vez ouvi a editora de moda Regina Guerreiro falar que moda é desejo, que ninguém precisa renovar o armário a cada meio ano, mas o mercado faz com que queiramos. E não tem nada de errado nisso, afinal, o nome já diz – é um mercado e ele precisa se sustentar.

Mas e nós, que não somos bobinhos, nem inocentes, nem nada, precisamos embarcar nessa de cabeça?

Se planejarmos um armário que se encaixe na real necessidade de uma pessoa, não passaremos de três blusas (assim dá tempo de uma ser lavada, uma estar em uso e outra de reserva), duas calças/bermudas, um ou dois sapatos (contei com o azar de sair em dia de chuva) e uma peça para se aquecer. Parece pouco, né? Mas é o que precisamos.

Óbvio que se vestir bem é um prazer e isso eleva nossa autoestima pra caramba. Quem não gosta de um elogio por estar mais bonito hoje do que em outros dias? Mas nem por isso precisamos ter todas as últimas tendências no armário, e podemos muito bem nos virar com o que já temos, mesmo reduzindo essa quantia consideravelmente. Quem comprovou isso foi a blogueira Caroline Joy do blog Un-Fancy.

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Cansada dos excessos, Caroline se desafiou e deixou apenas 37 peças no armário. Foram 9 pares de sapato, 9 partes de baixo, 15 blusas, 2 vestidos e duas jaquetas/casacos. O restante que estava em seu closet, guardou em sacos debaixo da cama.

Se comprometeu a revisitar as peças guardadas a cada seis meses (nas trocas de estação) e durante o período junta $ 500, que gasta comprando as peças que considera necessárias para complementar o armário na temporada seguinte.

Mas e a Caroline fez isso à toa? Claro que não! A grande lição que ela tirou é que muitas das peças que ficam lá guardadas por meio ano, na verdade, são desnecessárias. Afinal, se não fizeram falta nesse período, por que fariam depois? E detectou ainda que essa é uma maneira de fazer o descarte do que é desnecessário sem muita pressão, mas de forma orgânica. A roupa só ganha vida quando é usada, por isso, não existe motivo para termos pilhas e mais pilhas paradas no guarda-roupas.

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Talvez você veja o que Caroline fez, mas não se anime a fazer o mesmo (sim, rola um apego, eu sei). Mas caso queira, saiba que é muito menos complicado do que pode imaginar.

A primeira regra dela é de não limitar o número de peças a 37. Cada um deve saber da sua necessidade e fazer a seleção de acordo com isso. Talvez você chegue na metade do trajeto e sinta muita falta de determinada peça, e não é errado recuperá-la, contanto que use. Seu caixa para gastar lá na frente pode variar de acordo com vários fatores, mas lembre-se: ele serve para compras conscientes.

Para quem não consegue desapegar do armário cheio de roupas, a iniciativa de Caroline serve de lição. Comece dando um novo olhar ao que você tem e tente usar aquela peça que está guardada há tempos e as vezes você nem sabe o por quê. Se não conseguir usar, ou não gostar mais, se desfaça sem pena. Na hora de ir às compras, evite adquirir peças novas por impulso, afinal, esse é o pior tipo de compra (e o que mais tende a encalhar peças no armário).

Quando sabemos o que temos e o que realmente gostamos, fica muito mais fácil de otimizarmos nosso guarda-roupas e consumir com sabedoria.

Vai se desfazer de algumas peças? O próximo post fala exatamente sobre isso – e o que fazer com elas.

 

Começando a mudar – o que eu coloquei em prática?

mudancaEssa vida frenética, o consumo exacerbado, o estresse muitas vezes sem motivo, o ódio e a violência gratuita. Automaticamente entramos em uma rotina desgastante fisicamente e também (ou principalmente) psicologicamente. E foi assim que me vi no decorrer do tempo que passei a prestar mais atenção em mim. Cheguei àquele ponto em que me questionei: não seria a hora de mudar? Rever as prioridades e ser feliz com menos?

Já venho colocando isso em prática há algum tempo. Mas no último ano tem sido de maneira mais intensiva. A graça da vida é que nunca alcançaremos a perfeição e estaremos em constante mutação. Portanto, não estou aqui vomitando regras, nem empurrando meu estilo de vida goela abaixo de ninguém. Só compartilharei o que mudei em mim para me tornar uma pessoa melhor perante o que tenho aprendido.

Percebi que o primeiro passo a ser tomado é olhar para o lado e observar que somos um coletivo. Todas as pessoas têm algo para nos ensinar, seja para o bem ou para o mal. E precisamos cada vez mais fazer a diferença positiva. Ter empatia não deveria ser um valor emergente, mas um princípio básico do ser humano. Mas somos tão complicados que tendemos a odiar até mesmo quem não conhecemos.

Óbvio que muitas vezes o santo não vai bater, e temos todo o direito disso, afinal, cada cabeça uma sentença. Ma isso não nos dá liberdade a prejudicar o outro da forma que for, seja tentando derrubar algo que essa pessoa sonha realizar, derrubando a autoestima alheia, criticando… Ah, e pare de julgar! Você não sabe por o que a pessoa está passando, qual  história dela, os motivos para ela ser da maneira que você considera errado (e o que é certo para alguns é errado para outros). Pondere antes de apontar o dedo.

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Nesse sentido, faça escolhas “do bem”. Pense que tudo que fazemos, consumimos, comemos e etc, vai nos afetar em algum setor da vida. Façamos o que sabemos ser correto. Como exemplo uso a pessoa que critica o governo e a roubalheira no Facebook, mas não respeita uma fila, sonega impostos, faz o que pode para “sair por cima” das situações. Mesmo incondicionalmente, passamos a vida fazendo escolhas. E precisamos pensar melhor nelas antes de um “sim” ou “não”.

Respire, reflita, acalme-se. Ariano que sou, por vezes tenho vontade de brigar, mas e o que isso vai acrescentar na minha vida? É claro que existem brigas que valem ser compradas. Mas surgem tantas situações ridículas pelas quais nos indispomos com as pessoas e só depois vemos que não valeu a pena. Aqui, mais do que nunca, se aplica o “contar até 10”. Dar um tempo pro cérebro antes de agir por impulso nos faz pensar melhor e tomar as melhores decisões.

Por último, eu diria: naturalize-se! Serei breve por aqui, porque isso será tema em alguns dos próximos posts, mas quanto menos coisas artificiais consumirmos – e isso vai desde a alimentação até o que vestimos, como nos locomovemos, o que temos em casa – mais garantimos um futuro saudável. Pela primeira vez teremos uma geração que viverá menos que a anterior. E se esse ritmo se tornar natural, em alguns séculos poderemos ter uma extinção da raça humana.

Mudar não é fácil. Somos feitos de hábitos. Mas querer e fazer alguma coisa torna tudo possível e natural.

Demain, um documentário para um novo mundo

Já pensou que os filhos da geração que hoje beira os 30 anos pode viver num mundo onde comida, água e petróleo são escassos? E que dependemos de uma agricultura que prejudica o solo, com pesticidas e venenos; utilizamos água demasiadamente; e o petróleo, além de valer ouro, uma hora vai acabar – e ele é usado pra muita coisa que você nem imagina! Foi ao saber disso que os cineastas Cyril Dion e Mélanie Laurent decidiram criar o documentário Demain, que em francês significa “amanhã”.

poster-demainSabendo que as pessoas estão cansadas de ouvirem falar dos problemas do mundo, decidiram fazer diferente. Rodaram o mundo atrás de quem faz a diferença em aspectos ambientais, sociais, políticos e educacionais. A ideia é mostrar que, de maneira simples, se cada um fizer a diferença na sua comunidade, aos poucos fazemos do mundo um lugar melhor.

Um dos exemplos mostrados é da cidade de Detroit, nos Estados Unidos, que depois de se tornar extremamente desmatada, apostou no incentivo à população na criação de hortas urbanas e nas hortas comunitárias espalhadas pela cidade (e que deseja ter a maior fazenda urbana do mundo). Outro é de uma comunidade da Índia que colocou Dalits para serem vizinhos de pessoas de uma casta considerada superior, a fim de criar integração e espírito de comunidade entre pessoas que, tradicionalmente, seriam inferiores X superiores.

Assistir às quase duas horas do documentário é inquietante. Ver que ações por vezes simples podem fazer a diferença e que ainda não é tarde para mudarmos, nos faz ter vontade de começar pelo próprio quintal, pelo consumo consciente de água e energia elétrica, por uma alimentação mais natural, sabendo que o alimento produzido na nossa cidade, de maneira orgânica, não é apenas mais saudável para nossa saúde, mas também para o mundo.

É possível fazermos um amanhã diferente e muito feliz!

O que estamos fazendo com o nosso tempo?

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Com certeza você conhece alguém que nunca tem tempo pra nada, está sempre atrasado, com prazos estourados, sem um segundo pra sentar e conversar. Isso se essa pessoa não for você mesmo. Quando foi que 24 horas passaram a correr tão rápido? Por que esse elemento tão valorizado, mas tão intangível, simplesmente passa sem percebermos? O que estamos fazendo com o nosso tempo?

Hoje caiu no meu colo a seguinte citação da autora Mia Couto: “É uma queixa comum que ‘não temos tempo pra nada’, mas nós não precisamos de mais tempo, precisamos sim de um tempo que seja nosso. Não é uma questão de quantidade, mas de autonomia. Seremos soberanos da nossa própria vida se soubermos reencontrar, redescobrir esse namoro e essa intimidade com o tempo. Essa relação íntima é algo altamente subversivo. E é tão perigoso quanto qualquer ato de indignação pública. Nos dias de hoje, a preocupação não é tanto viver essa intimidade do instante, mas registrar o que se está a suceder em uma imagem, numa fotografia, num vídeo. Não estou a fazer uma apologia nostálgica do passado e ninguém pode negar as vantagens óbvias dessas tecnologias, mas a questão é outra: é saber se nós guardamos o nosso lugar de autor de uma narrativa que possa nos fazer mais humanos, mais coletivos e mais solidários.”

Isso me fez pensar muito o dia todo. Me fez refletir sobre o que estou fazendo com o meu tempo. E não são só as 24 horas do dia ou período de trabalho. Mas o tempo da vida. Somos condicionados a pensar que as conquistas virão por consequência de muito trabalho. Então, trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos. As conquistas materiais chegam (ao menos a quem tem sorte) e o que fazemos com elas? Expomos. No mundo moderno, com essa ferramente incrível chamada internet, todos podemos comunicar o que bem entendemos. A chamada ostentação está ai. E pra que? Para mostrarmos ao mundo o que conseguimos trocando nosso tempo por dinheiro – ou queremos fazer parecer que conseguimos.

Há tempos assisti esse vídeo do ex-presidente uruguaio Jose Mujica. Em pouco tempo, com certeza, ele te fará repensar tua relação com conquistas e tempo. Ganhe tempo e assista:

O pensamento de que todo o dinheiro que conquistamos vem do tempo que gastamos é no mínimo inquietante. Passamos mais da metade dos anos da nossa vida trabalhando. Nos dedicamos às conquistas que nos disseram serem certas. Tenha uma carreira, tenha um bom carro, tenha uma casa branca com janelas azuis… TENHA. Mas por que gastamos tanto tempo para “ter” e tão pouco para “ser”?

Administrar o tempo é um desafio, sem sombra de dúvida. Tanto que o que não falta por ai são técnicas para isso. “Faça listas”, “Cumpra metade das tarefas pela manhã”, “Esquematize uma agenda”… Existe até gente que ganha dinheiro organizando o tempo de outras pessoas. Loucura, né? A verdade é que o mundo moderno exige que façamos tantas coisas ao mesmo tempo que esquecemos de focar no essencial: fazer uma coisa por vez.

Dia desses, conversando com amigas, falamos disso. A reclamação mais comum foi que recebemos tanta informação e estímulo ao mesmo tempo que manter o foco se torna um desafio. Pudera, você precisa saber de assuntos do seu trabalho, dar conta da vida pessoal, estar bem informado sobre as notícias do mundo, pensar no que vestir, no que comprar, nem conquista bem uma coisa e já está de olho na próxima. Sendo que, desde crianças, ouvimos: uma coisa de cada vez.

É desafiador, mas essencial voltarmos aos básicos. Viver o momento, com foco naquilo que estamos fazendo, afinal, tudo nessa vida é uma construção que acarretará em algo bom ou ruim, seja logo ali na frente, ou daqui um tempão. Pensarmos que o tempo gasto não volta e que nem sempre a conquista material é a melhor recompensa.

Quando foi a última vez que você tomou um café com seus amigos? E se deu ao luxo de simplesmente sentar e esperar, sem olhar pro celular, agenda, ou sentir remorso? Esperar o que? Seja o ônibus, a fila, o tempo passar… Olhe ao redor. Veja quem e o que está a sua volta. Invista seu tempo naquilo que vai fazer a diferença no seu “ser”, e não no “ter”. Como bem dizem os italianos: il dolce far niente!

E faça isso antes que seja tarde, porque, roubando a citação de Mujica: tudo se compra, menos o tempo.