Meu estilo mudou, assim como eu

Parece que vez ou outra entramos numa crise de identidade com a moda, e não estou falando do surgimento e sumiço de tendências, ou quando abrimos o armário e soltamos a infame frase: eu não tenho nada pra vestir! O que acontece é que nós mudamos internamente, e isso reflete no visual.

Essa mudança pode se dar por diversos motivos. Um emprego novo, uma rotina diferente, um novo hábito (que pode ser começar a praticar exercícios, uma nova cultura alimentar, adquirir consciência ambiental), ou qualquer coisa que reflita no nosso emocional.

Vou me tomar como case nesse post, falando um pouco sobre como o meu estilo mudou.

Novo estilo

Há dois anos eu tinha a moda como uma ferramenta de expressão diferente. Gostava de excesso, por isso, carregava muito mais a mão em cores, estampas e peças chamativas. Digamos que todos os dias eu vestia roupas que muita gente só usa pra ir em festas. E não estou desmerecendo meu antigo estilo. Muito pelo contrário. Ele representava quem eu era naquele momento.

Só que com o tempo, comecei a me conscientizar (já falei muito sobre esse assunto aqui no blog). Se antes eu era apegado a roupas, passei a desapegar com facilidade e ponderar muito mais na hora de comprar. Fiz muitas limpas no meu armário, mas muitas mesmo. Li o livro da Marie Kondo, o que foi de um valor imensurável.

Marie prega que, quando formos organizar o armário, devemos olhar para a peça de roupa e se questionar se ela realmente nos faz feliz. Esqueça das regras de se desfazer caso esteja há determinado tempo sem uso. O que importa mesmo é a felicidade que aquele objeto nos trás. E foi então que vi: pouco do que eu tinha me deixava realmente feliz.

Junto a essa limpa no armário, descobri que nem toda tendência precisa me agradar pessoalmente. E não tem problema se eu deixar muitas delas passarem batidas por mim. O que importa mesmo é eu identificar as que gosto de verdade e adaptá-la ao que eu já tenho. Isso nos faz ter mais peças afetivas que, independente do que a revista ou os influencers estejam ditando, vamos vestir e nos sentir muito bem.

Hoje não posso me considerar minimalista, estou muito longe disso e nem sei se gostaria. Afinal, assim como podemos ser vítimas da moda, podemos ser vítimas do movimento que vai contra ela. E a razão de estarmos aqui é sermos felizes. Por isso, todos os movimentos que fizermos, devem ser em direção a isso. Tenho um visual mais clean, com menos peças no armário, mas todas com um fluxo ativo.

O que seria “fluxo ativo”? É usarmos o que temos. É fato que não precisamos de muita roupa. Mas se compramos peças para o dia a dia (vamos deixar as de festa de lado nesse papo), elas precisam ser usadas. Senão, qual o motivo de estarem lá? E esse movimento só ocorre quando conhecemos nosso estilo e passamos a fazer aquisições certeiras.

Hoje somo o que restou do meu estilo antigo a elementos que estou encontrando atualmente (uma jaqueta daqui, uma bota de lá, um casaco de lã acolá). Esse mix forma meu novo visual. Mas nada impede que, mais cedo ou mais tarde, tudo mude de novo. E é essa a graça da vida. Estamos numa eterna adaptação.

Anne With an E é puro amor

Algumas séries te prendem pelo enredo, outras por algum suspense, e tem aquelas que te agarram pelo coração. Foi assim com Gilmore Girls, que me arrebatou por sete temporadas e um especial. É dessa forma com Grace & Frankie, que me faz maratonar a cada nova temporada. E o mesmo aconteceu com Anne With an E, que eu (erroneamente) subestimei.

Essa já é a terceira versão para telas da história Anne of Green Gabels, da autora Lucy Maud Montgomery. A produção atual foi feita pela Netflix, com direção de Niki Karo estrelada pela linda Amybeth McNulty, e conta a história de uma órfã que depois de 13 anos passando de casa em casa, onde era tratada como empregada, vai parar por engano na casa dos irmãos Marilla e Matthew Cuthbert.

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Embora tudo comece com um engano (eles esperavam por um menino que pudesse ajudar nos afazeres da fazenda), a relação logo passa a ser de amor. Anne encontra em Marilla e Matthew os pais que nunca teve, e eles a companheira para o resto de suas vidas. Não pense que por se tratar de uma criança com um passado duro, a personagem é frágil. Muito pelo contrário. Após sair da casa de uma família onde era agredida e ajudou a criar gêmeos por duas vezes, e ter passagens tensas por um orfanato, a protagonista é forte, inteligente e capaz de se defender.

Mesmo todas as dificuldades não criaram uma casca capaz de deixar de lado os sonhos e desejos de uma menina, que ao longo dos episódios precisa lidar com julgamentos (tanto dos outros quanto dela própria, que se sente feia por ser ruiva e magra demais – quem nunca?), preconceito por ser uma órfã, a primeira menstruação e todos seus efeitos, a primeira paixão e a busca por um crescimento que a permita ser uma mulher inteligente, forte e independente (o que aprende não ser necessariamente algo que a afastará do amor).

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Tudo é construído com uma visão lúdica, vinda da própria Anne. Como uma criança com uma maturidade incomum lida com fatos tão duros da vida dos adultos e ao mesmo tempo enfrenta os desafios da vida de criança?

Muitos estão chamando Anne With an E de uma série empoderadora feminina, o que realmente é (já no primeiro capítulo ela deixa claro: “Meninas podem fazer tudo o que meninos fazem e muito mais.”), mas eu acredito que seja algo além, que vale tanto para mulheres quanto para homens. Ela nos ensina a não desistir, afinal, ver uma menina com 13 anos que carrega uma carga negativa de vida, mas consegue sempre enxergar o brilho das coisas. Mesmo se tratando de uma ficção nos dá um tapa de luva na cara para quando pensamos em saltar do barco por pouco.

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Anne deseja o que muitos de nós desejamos: amor, aceitação e felicidade. Acredita na independência e em sua capacidade de fazer o que bem entender (pense na dificuldade de uma menina sustentar esse pensamento em 1900, quando elas eram ensinadas que seu destino era casar com um bom homem e cuidar da casa), e nunca deixar de lado seus sonhos.

Em um episódio marcante diz para uma nova amiga: “Eu desejo ser muito boa em algo extraordinário!” Um desejo para a vida de todos. Não espere para se apaixonar pelo mundo de empatia e amor de Anne. Deixe-se envolver e aprender, assim como ela a viver uma vida sem arrependimentos.

Disponível na Netflix.

Sejamos mais por nós mesmos

Depois de meses de espera na fila por uma terapeuta, eis que ela me chama no Whatsapp e pergunta se ainda tenho interesse. Penso em negar, afinal, estava me tratando com outra profissional e vendo os efeitos. Mas depois de muito ter ouvido falar bem dela, a curiosidade era enorme. “Não custa tentar”, me convenci. No dia seguinte estava à espera da primeira consulta, num nervosismo como se nunca tivesse passado por essa situação antes.

O papo fluiu. Sentia a sensibilidade dela e falávamos sobre a minha vida. Após muita emoção, ela me questiona: “tu gostas de ti mesmo?” O baque foi grande, e instantaneamente disse que sim. Mas péra ai, não é bem assim! Logo após emendei: algumas vezes sinto necessidade de mudanças para gostar de mim. Seria isso uma maneira de não gostar?

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Oras, que tolice! Não é porque as vezes quero perder uns quilos, que hora ou outra bate a vontade de cortar o cabelo ou mudar seja lá o que for, que eu não gosto de mim mesmo, não é mesmo? Mas não é assim que a banda toca – infelizmente.

Crescemos em meio a pressões. Desde a infância, nossos pais projetam o que querem que sejamos no futuro. Nunca fui o filho médico que a minha mãe desejou – e não me arrependo nada disso. Quando chegamos na adolescência passamos a nos adaptar para sermos aceitos pelos amigos, que no momento parecem ser as pessoas mais interessantes do mundo, mas que o tempo mostra que estávamos enganados. E seguimos assim pelo resto da vida, tendo dificuldade de reconhecer qual é a nossa vontade de mudar e qual é a pressão dos outros.

Agradar o chefe, a família, o mozão, os amigos, os vizinhos… Parece que todo o tempo precisamos provar para alguém que somos o que esperam de nós. E tem loucura maior que essa? Quando vai ser a hora que criaremos coragem e diremos: eu não sou como você espera. Eu sou eu, nem melhor nem pior. Lide com isso!

Ah, se fosse tão simples, não é mesmo? Estamos o tempo todo tentando provar ao outro que somos da maneira que ele deseja, para quem sabe um dia ele nos aceitar da maneira que somos. Com isso, quem se aceita como é, é taxado de egocêntrico.

Não há problema algum em nos gostarmos da forma que somos!

E esse “gostar” é o suficiente para acordarmos felizes, nos olharmos no espelho buscando qualidades ao invés de defeitos, sabermos do nosso valor e que somos livres. É uma busca pela consciência de quem nós realmente somos, independentes de padrões e selos da sociedade. A não ser que você faça algo de extraordinário, dificilmente vai receber uma menção honrosa por ser quem é. Então, dê ela a si mesmo!

Com certeza existirão pessoas dizendo que você precisa mudar. Não mude por eles. Mude se você sentir que deseja isso. Viva a sua vida, independente de seja lá quem for, estiver falando seja lá o que sobre você.