Compre, mas com sabedoria

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Engana-se quem pensa que, ao nos tornarmos mais conscientes, precisamos obrigatoriamente deixar de comprar roupas. Tanto que o próprio conceito de armário cápsula tem um caixa para compras na troca de temporada. O que acontece é que, ao tomarmos consciência do que compramos, observamos tudo com outros olhos.

Por exemplo, você não vai se jogar em qualquer liquidação, comprando uma peça de roupa que você não precisa. Afinal, já sabemos: o que temos é suficiente e qualquer coisa além disso será excesso.

Sempre digo que liquidações servem para duas coisas: a primeira, buscarmos por peças que usaremos por muito tempo. A segunda: adquirirmos as tendências que desejamos por muito tempo, mas por acharmos caro não compramos antes.

E em compras normais, o que levar em consideração?

Vários fatores são determinantes para você escolher uma peça de roupa que valha o investimento. Muito além de preço, marca e estilo, precisamos observar os detalhes (lembre-se, Deus e o diabo habitam neles).

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A arara é um parque de diversões pra quem ama comprar. E é ai que mora o perigo. As lojas pensam na melhor exposição para te fisgar e levar a gastar. Não pense que isso é errado, afinal, o objetivo de uma loja é qual além de vender?

Antes de sairmos pegando todas as peças para provar, pense em qual realmente se encaixa no seu estilo. Naquele mar de opções, nem tudo é a sua cara e é comum selecionarmos por impulso. Por isso, antes de mais nada, saiba do que realmente gosta.

Depois, pense no que você já tem no armário e se questione se a peça selecionada combinará com pelo menos mais três. Mas nada de básicas como blusas brancas e calças jeans. Pense em estampas e cores. Não dê chances para uma compra desnecessária. Ir à loja sabendo o que já temos é bom, inclusive, pelo fato de evitarmos de comprar peças muito semelhantes às que já temos.

Uma estratégia muito indicada (e já famosa) é a de ver as roupas que curte e dar uma volta, tomar um café ou esperar até o outro dia. Se ela continuar na sua cabeça e você se convencer de que realmente precisa, pode voltar à loja e comprar, porque o desejo pode ser um bom guia.

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Os provadores não existem por acaso. Sou contra comprar uma roupa sem prová-la, e a chance de errar é muito maior. Lembre-se que as lojas brasileiras não são obrigadas a efetivar trocas a não ser que as peças tenham defeito. Portanto, se você ficar à mercê do lojista, corre o risco de ter uma roupa encalhada no armário.

Mas vamos lá… Você se divertiu na arara, escolheu suas peças preferidas e se fechou dentro do provador. Prove tudo com calma, afinal, é de graça. Em primeiro lugar, veja o caimento. Ele deve ser perfeito, o tecido deve “abraçar” seu corpo e valorizar o que você tem de melhor. Se ficar repuxando de um lado, num comprimento desconfortável, ou que você simplesmente não se sinta à vontade, deixe de lado.

A peça ficou boa? Ok, vamos ao segundo passo. Provavelmente você sabe diferenciar um tecido bom de um ruim. O de qualidade é aquele que sabemos que vai durar por muito tempo se lavarmos da maneira correta e mantivermos bem armazenado, afinal, você não vai lavar uma seda na máquina e guardar de qualquer jeito, né – cuide do que tem.

Vire a peça do avesso. Confira todas as costuras, se estão firmes, veja os acabamentos. Acredite, a roupa deve ser tão bonita “por dentro” quanto “por fora”.

Comprar com consciência, sabendo do que realmente precisamos, faz toda a diferença. Depois disso, é só incrementar os looks. Ah, viu que falei sobre conhecer o próprio estilo? Vou me aprofundar um pouco nesse assunto no próximo post, muito além dos clichês que conhecemos.

Desapegando e se livrando das “coisas”

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Quando criamos consciência sobre o que temos no armário e aprendemos que podemos viver com aquilo o primeiro passo (e até mesmo desejo), é desapegar. Eu acho esse um dos momentos mais essenciais, mas ao mesmo tempo arriscados. Com a ideia de “menos é mais” na cabeça, temos vontade de atirar muitas peças pela janela, inclusive algumas que não deveríamos.

Por isso, algo muito importante antes de começar o descarte, é refletir. Depois de muitas vezes ter dado ou vendido peças que gostava e senti falta depois, aprendi uma técnica muito eficiente: dê um descanso para a sua cabeça.

Quando estamos no fervor do momento de desapego, é muito comum olharmos para roupas que usamos pouco, mas gostamos, ou então servem para determinadas ocasiões, e jogarmos na pilha do “desfazer-se”. Por isso quando nos permitimos pensar antes de começar as doações e vendas, temos a oportunidade de analisar bem nossas escolhas.

Por exemplo: aquela jaqueta super pesada, que você não usa no Brasil, mas usa em viagens ao exterior no inverno. Se você não tem o costume de viajar pelo menos uma vez por ano, realmente não há razão para deixar ela estorvando no seu armário. Agora, se viajar faz parte da sua rotina, nem pense em se desfazer. Essa é apenas uma situação tosca que usei, mas que serve de reflexão. É como sempre digo: é importante lembrar que depois do calor vem o frio. E vamos precisar das roupas.

Mas e do que devemos nos desfazer?

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Não existe uma regra específica pro desapego. Em pesquisas no Google você vai encontrar uma imensidão de técnicas: se desfaça do que não usa há mais de dois anos, se não serve bem a peça deve ir pro lixo, descartar uma peça por dia até que só restem as essenciais… Mas a verdade é que cada um descobre por conta em qual melhor se adapta.

Para mim, a mais eficiente foi a ensinada pela mestre da organização Marie Kondo. Ela propõe quase um diálogo com nossas roupas. Devemos tirar peça por peça de dentro do armário, olhar para cada uma e se perguntar: isso me faz feliz?

Se a resposta for sim, guarde. Se for não, dê um destino digno a ela. Dessa maneia, você verá que cada caso é individual e que guardamos muita coisa sem sentindo, apenas por acharmos que podemos vir a necessitar. Uma roupa só tem utilidade (e vida) quando usada, caso contrário, é só um pedaço de pano.

E depois do desapego feito, como descartar?

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Antes de mais nada analise a qualidade das roupas que você descartou. Eu costumo separá-las por “vender”, “doar”, “descartar”. Os descartes se tornam pano de chão e de tirar pó da estante. As pilhas de doações encaminho para pessoas que necessitam. E as peças para venda, costumo usar dois “caminhos”.

O primeiro deles é oferecer para amigos interessados provarem. Acho que aos poucos as pessoas perdem a vergonha do produto de “segunda mão” e não se importam de ter o que um amigo já teve.

A segunda opção, que dá um pouco mais de trabalho, é vender pelo site Enjoei. Esse é um brechó online, acho que o maior do país, onde você pode comprar e vender roupas e objetos usados ou produzidos por você. Você cria uma conta, fotografa as peças que deseja se desfazer (as fotos precisam ser no mínimo aceitáveis, porque eles fazem uma análise antes), publica na sua lojinha, colocando preço, explicando um pouco do produto, e depois é só esperar os clientes virem.

Um dos fatores bacanas do Enjoei é que eles criam promoções para impulsionar as vendas e você decide se participa ou não. Depois de vendido, é só levar no correio e esperar pela grana (que chega com um desconto da comissão do site). Se sua cidade tiver um brechó físico, essa é outra ótima alternativa para levar as roupas que você pretende vender. As vezes você receberá menos por elas, mas terá menos trabalho.

Ok, já falamos sobre descarte, venda, mas e sobre compras? Isso a gente trata no próximo post!