Você tem o suficiente – o conceito de armário cápsula

armario-capsulaDe nada adianta falarmos sobre sustentabilidade na moda se não pararmos para olhar com atenção o que já temos. Uma coisa é fato: temos muito mais do que precisamos! Faça um passeio mental pelo seu armário e pense em quantas das peças que estão lá você não usa há tempos, ou até mesmo se comprou e nunca usou.

Se sua resposta for “muitas”, é hora de repensar o que está fazendo.

Uma vez ouvi a editora de moda Regina Guerreiro falar que moda é desejo, que ninguém precisa renovar o armário a cada meio ano, mas o mercado faz com que queiramos. E não tem nada de errado nisso, afinal, o nome já diz – é um mercado e ele precisa se sustentar.

Mas e nós, que não somos bobinhos, nem inocentes, nem nada, precisamos embarcar nessa de cabeça?

Se planejarmos um armário que se encaixe na real necessidade de uma pessoa, não passaremos de três blusas (assim dá tempo de uma ser lavada, uma estar em uso e outra de reserva), duas calças/bermudas, um ou dois sapatos (contei com o azar de sair em dia de chuva) e uma peça para se aquecer. Parece pouco, né? Mas é o que precisamos.

Óbvio que se vestir bem é um prazer e isso eleva nossa autoestima pra caramba. Quem não gosta de um elogio por estar mais bonito hoje do que em outros dias? Mas nem por isso precisamos ter todas as últimas tendências no armário, e podemos muito bem nos virar com o que já temos, mesmo reduzindo essa quantia consideravelmente. Quem comprovou isso foi a blogueira Caroline Joy do blog Un-Fancy.

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Cansada dos excessos, Caroline se desafiou e deixou apenas 37 peças no armário. Foram 9 pares de sapato, 9 partes de baixo, 15 blusas, 2 vestidos e duas jaquetas/casacos. O restante que estava em seu closet, guardou em sacos debaixo da cama.

Se comprometeu a revisitar as peças guardadas a cada seis meses (nas trocas de estação) e durante o período junta $ 500, que gasta comprando as peças que considera necessárias para complementar o armário na temporada seguinte.

Mas e a Caroline fez isso à toa? Claro que não! A grande lição que ela tirou é que muitas das peças que ficam lá guardadas por meio ano, na verdade, são desnecessárias. Afinal, se não fizeram falta nesse período, por que fariam depois? E detectou ainda que essa é uma maneira de fazer o descarte do que é desnecessário sem muita pressão, mas de forma orgânica. A roupa só ganha vida quando é usada, por isso, não existe motivo para termos pilhas e mais pilhas paradas no guarda-roupas.

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Talvez você veja o que Caroline fez, mas não se anime a fazer o mesmo (sim, rola um apego, eu sei). Mas caso queira, saiba que é muito menos complicado do que pode imaginar.

A primeira regra dela é de não limitar o número de peças a 37. Cada um deve saber da sua necessidade e fazer a seleção de acordo com isso. Talvez você chegue na metade do trajeto e sinta muita falta de determinada peça, e não é errado recuperá-la, contanto que use. Seu caixa para gastar lá na frente pode variar de acordo com vários fatores, mas lembre-se: ele serve para compras conscientes.

Para quem não consegue desapegar do armário cheio de roupas, a iniciativa de Caroline serve de lição. Comece dando um novo olhar ao que você tem e tente usar aquela peça que está guardada há tempos e as vezes você nem sabe o por quê. Se não conseguir usar, ou não gostar mais, se desfaça sem pena. Na hora de ir às compras, evite adquirir peças novas por impulso, afinal, esse é o pior tipo de compra (e o que mais tende a encalhar peças no armário).

Quando sabemos o que temos e o que realmente gostamos, fica muito mais fácil de otimizarmos nosso guarda-roupas e consumir com sabedoria.

Vai se desfazer de algumas peças? O próximo post fala exatamente sobre isso – e o que fazer com elas.