O que estamos fazendo com o nosso tempo?

tempo

Com certeza você conhece alguém que nunca tem tempo pra nada, está sempre atrasado, com prazos estourados, sem um segundo pra sentar e conversar. Isso se essa pessoa não for você mesmo. Quando foi que 24 horas passaram a correr tão rápido? Por que esse elemento tão valorizado, mas tão intangível, simplesmente passa sem percebermos? O que estamos fazendo com o nosso tempo?

Hoje caiu no meu colo a seguinte citação da autora Mia Couto: “É uma queixa comum que ‘não temos tempo pra nada’, mas nós não precisamos de mais tempo, precisamos sim de um tempo que seja nosso. Não é uma questão de quantidade, mas de autonomia. Seremos soberanos da nossa própria vida se soubermos reencontrar, redescobrir esse namoro e essa intimidade com o tempo. Essa relação íntima é algo altamente subversivo. E é tão perigoso quanto qualquer ato de indignação pública. Nos dias de hoje, a preocupação não é tanto viver essa intimidade do instante, mas registrar o que se está a suceder em uma imagem, numa fotografia, num vídeo. Não estou a fazer uma apologia nostálgica do passado e ninguém pode negar as vantagens óbvias dessas tecnologias, mas a questão é outra: é saber se nós guardamos o nosso lugar de autor de uma narrativa que possa nos fazer mais humanos, mais coletivos e mais solidários.”

Isso me fez pensar muito o dia todo. Me fez refletir sobre o que estou fazendo com o meu tempo. E não são só as 24 horas do dia ou período de trabalho. Mas o tempo da vida. Somos condicionados a pensar que as conquistas virão por consequência de muito trabalho. Então, trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos. As conquistas materiais chegam (ao menos a quem tem sorte) e o que fazemos com elas? Expomos. No mundo moderno, com essa ferramente incrível chamada internet, todos podemos comunicar o que bem entendemos. A chamada ostentação está ai. E pra que? Para mostrarmos ao mundo o que conseguimos trocando nosso tempo por dinheiro – ou queremos fazer parecer que conseguimos.

Há tempos assisti esse vídeo do ex-presidente uruguaio Jose Mujica. Em pouco tempo, com certeza, ele te fará repensar tua relação com conquistas e tempo. Ganhe tempo e assista:

O pensamento de que todo o dinheiro que conquistamos vem do tempo que gastamos é no mínimo inquietante. Passamos mais da metade dos anos da nossa vida trabalhando. Nos dedicamos às conquistas que nos disseram serem certas. Tenha uma carreira, tenha um bom carro, tenha uma casa branca com janelas azuis… TENHA. Mas por que gastamos tanto tempo para “ter” e tão pouco para “ser”?

Administrar o tempo é um desafio, sem sombra de dúvida. Tanto que o que não falta por ai são técnicas para isso. “Faça listas”, “Cumpra metade das tarefas pela manhã”, “Esquematize uma agenda”… Existe até gente que ganha dinheiro organizando o tempo de outras pessoas. Loucura, né? A verdade é que o mundo moderno exige que façamos tantas coisas ao mesmo tempo que esquecemos de focar no essencial: fazer uma coisa por vez.

Dia desses, conversando com amigas, falamos disso. A reclamação mais comum foi que recebemos tanta informação e estímulo ao mesmo tempo que manter o foco se torna um desafio. Pudera, você precisa saber de assuntos do seu trabalho, dar conta da vida pessoal, estar bem informado sobre as notícias do mundo, pensar no que vestir, no que comprar, nem conquista bem uma coisa e já está de olho na próxima. Sendo que, desde crianças, ouvimos: uma coisa de cada vez.

É desafiador, mas essencial voltarmos aos básicos. Viver o momento, com foco naquilo que estamos fazendo, afinal, tudo nessa vida é uma construção que acarretará em algo bom ou ruim, seja logo ali na frente, ou daqui um tempão. Pensarmos que o tempo gasto não volta e que nem sempre a conquista material é a melhor recompensa.

Quando foi a última vez que você tomou um café com seus amigos? E se deu ao luxo de simplesmente sentar e esperar, sem olhar pro celular, agenda, ou sentir remorso? Esperar o que? Seja o ônibus, a fila, o tempo passar… Olhe ao redor. Veja quem e o que está a sua volta. Invista seu tempo naquilo que vai fazer a diferença no seu “ser”, e não no “ter”. Como bem dizem os italianos: il dolce far niente!

E faça isso antes que seja tarde, porque, roubando a citação de Mujica: tudo se compra, menos o tempo.

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