Começando a mudar – o que eu coloquei em prática?

mudancaEssa vida frenética, o consumo exacerbado, o estresse muitas vezes sem motivo, o ódio e a violência gratuita. Automaticamente entramos em uma rotina desgastante fisicamente e também (ou principalmente) psicologicamente. E foi assim que me vi no decorrer do tempo que passei a prestar mais atenção em mim. Cheguei àquele ponto em que me questionei: não seria a hora de mudar? Rever as prioridades e ser feliz com menos?

Já venho colocando isso em prática há algum tempo. Mas no último ano tem sido de maneira mais intensiva. A graça da vida é que nunca alcançaremos a perfeição e estaremos em constante mutação. Portanto, não estou aqui vomitando regras, nem empurrando meu estilo de vida goela abaixo de ninguém. Só compartilharei o que mudei em mim para me tornar uma pessoa melhor perante o que tenho aprendido.

Percebi que o primeiro passo a ser tomado é olhar para o lado e observar que somos um coletivo. Todas as pessoas têm algo para nos ensinar, seja para o bem ou para o mal. E precisamos cada vez mais fazer a diferença positiva. Ter empatia não deveria ser um valor emergente, mas um princípio básico do ser humano. Mas somos tão complicados que tendemos a odiar até mesmo quem não conhecemos.

Óbvio que muitas vezes o santo não vai bater, e temos todo o direito disso, afinal, cada cabeça uma sentença. Ma isso não nos dá liberdade a prejudicar o outro da forma que for, seja tentando derrubar algo que essa pessoa sonha realizar, derrubando a autoestima alheia, criticando… Ah, e pare de julgar! Você não sabe por o que a pessoa está passando, qual  história dela, os motivos para ela ser da maneira que você considera errado (e o que é certo para alguns é errado para outros). Pondere antes de apontar o dedo.

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Nesse sentido, faça escolhas “do bem”. Pense que tudo que fazemos, consumimos, comemos e etc, vai nos afetar em algum setor da vida. Façamos o que sabemos ser correto. Como exemplo uso a pessoa que critica o governo e a roubalheira no Facebook, mas não respeita uma fila, sonega impostos, faz o que pode para “sair por cima” das situações. Mesmo incondicionalmente, passamos a vida fazendo escolhas. E precisamos pensar melhor nelas antes de um “sim” ou “não”.

Respire, reflita, acalme-se. Ariano que sou, por vezes tenho vontade de brigar, mas e o que isso vai acrescentar na minha vida? É claro que existem brigas que valem ser compradas. Mas surgem tantas situações ridículas pelas quais nos indispomos com as pessoas e só depois vemos que não valeu a pena. Aqui, mais do que nunca, se aplica o “contar até 10”. Dar um tempo pro cérebro antes de agir por impulso nos faz pensar melhor e tomar as melhores decisões.

Por último, eu diria: naturalize-se! Serei breve por aqui, porque isso será tema em alguns dos próximos posts, mas quanto menos coisas artificiais consumirmos – e isso vai desde a alimentação até o que vestimos, como nos locomovemos, o que temos em casa – mais garantimos um futuro saudável. Pela primeira vez teremos uma geração que viverá menos que a anterior. E se esse ritmo se tornar natural, em alguns séculos poderemos ter uma extinção da raça humana.

Mudar não é fácil. Somos feitos de hábitos. Mas querer e fazer alguma coisa torna tudo possível e natural.

Demain, um documentário para um novo mundo

Já pensou que os filhos da geração que hoje beira os 30 anos pode viver num mundo onde comida, água e petróleo são escassos? E que dependemos de uma agricultura que prejudica o solo, com pesticidas e venenos; utilizamos água demasiadamente; e o petróleo, além de valer ouro, uma hora vai acabar – e ele é usado pra muita coisa que você nem imagina! Foi ao saber disso que os cineastas Cyril Dion e Mélanie Laurent decidiram criar o documentário Demain, que em francês significa “amanhã”.

poster-demainSabendo que as pessoas estão cansadas de ouvirem falar dos problemas do mundo, decidiram fazer diferente. Rodaram o mundo atrás de quem faz a diferença em aspectos ambientais, sociais, políticos e educacionais. A ideia é mostrar que, de maneira simples, se cada um fizer a diferença na sua comunidade, aos poucos fazemos do mundo um lugar melhor.

Um dos exemplos mostrados é da cidade de Detroit, nos Estados Unidos, que depois de se tornar extremamente desmatada, apostou no incentivo à população na criação de hortas urbanas e nas hortas comunitárias espalhadas pela cidade (e que deseja ter a maior fazenda urbana do mundo). Outro é de uma comunidade da Índia que colocou Dalits para serem vizinhos de pessoas de uma casta considerada superior, a fim de criar integração e espírito de comunidade entre pessoas que, tradicionalmente, seriam inferiores X superiores.

Assistir às quase duas horas do documentário é inquietante. Ver que ações por vezes simples podem fazer a diferença e que ainda não é tarde para mudarmos, nos faz ter vontade de começar pelo próprio quintal, pelo consumo consciente de água e energia elétrica, por uma alimentação mais natural, sabendo que o alimento produzido na nossa cidade, de maneira orgânica, não é apenas mais saudável para nossa saúde, mas também para o mundo.

É possível fazermos um amanhã diferente e muito feliz!

O que estamos fazendo com o nosso tempo?

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Com certeza você conhece alguém que nunca tem tempo pra nada, está sempre atrasado, com prazos estourados, sem um segundo pra sentar e conversar. Isso se essa pessoa não for você mesmo. Quando foi que 24 horas passaram a correr tão rápido? Por que esse elemento tão valorizado, mas tão intangível, simplesmente passa sem percebermos? O que estamos fazendo com o nosso tempo?

Hoje caiu no meu colo a seguinte citação da autora Mia Couto: “É uma queixa comum que ‘não temos tempo pra nada’, mas nós não precisamos de mais tempo, precisamos sim de um tempo que seja nosso. Não é uma questão de quantidade, mas de autonomia. Seremos soberanos da nossa própria vida se soubermos reencontrar, redescobrir esse namoro e essa intimidade com o tempo. Essa relação íntima é algo altamente subversivo. E é tão perigoso quanto qualquer ato de indignação pública. Nos dias de hoje, a preocupação não é tanto viver essa intimidade do instante, mas registrar o que se está a suceder em uma imagem, numa fotografia, num vídeo. Não estou a fazer uma apologia nostálgica do passado e ninguém pode negar as vantagens óbvias dessas tecnologias, mas a questão é outra: é saber se nós guardamos o nosso lugar de autor de uma narrativa que possa nos fazer mais humanos, mais coletivos e mais solidários.”

Isso me fez pensar muito o dia todo. Me fez refletir sobre o que estou fazendo com o meu tempo. E não são só as 24 horas do dia ou período de trabalho. Mas o tempo da vida. Somos condicionados a pensar que as conquistas virão por consequência de muito trabalho. Então, trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos. As conquistas materiais chegam (ao menos a quem tem sorte) e o que fazemos com elas? Expomos. No mundo moderno, com essa ferramente incrível chamada internet, todos podemos comunicar o que bem entendemos. A chamada ostentação está ai. E pra que? Para mostrarmos ao mundo o que conseguimos trocando nosso tempo por dinheiro – ou queremos fazer parecer que conseguimos.

Há tempos assisti esse vídeo do ex-presidente uruguaio Jose Mujica. Em pouco tempo, com certeza, ele te fará repensar tua relação com conquistas e tempo. Ganhe tempo e assista:

O pensamento de que todo o dinheiro que conquistamos vem do tempo que gastamos é no mínimo inquietante. Passamos mais da metade dos anos da nossa vida trabalhando. Nos dedicamos às conquistas que nos disseram serem certas. Tenha uma carreira, tenha um bom carro, tenha uma casa branca com janelas azuis… TENHA. Mas por que gastamos tanto tempo para “ter” e tão pouco para “ser”?

Administrar o tempo é um desafio, sem sombra de dúvida. Tanto que o que não falta por ai são técnicas para isso. “Faça listas”, “Cumpra metade das tarefas pela manhã”, “Esquematize uma agenda”… Existe até gente que ganha dinheiro organizando o tempo de outras pessoas. Loucura, né? A verdade é que o mundo moderno exige que façamos tantas coisas ao mesmo tempo que esquecemos de focar no essencial: fazer uma coisa por vez.

Dia desses, conversando com amigas, falamos disso. A reclamação mais comum foi que recebemos tanta informação e estímulo ao mesmo tempo que manter o foco se torna um desafio. Pudera, você precisa saber de assuntos do seu trabalho, dar conta da vida pessoal, estar bem informado sobre as notícias do mundo, pensar no que vestir, no que comprar, nem conquista bem uma coisa e já está de olho na próxima. Sendo que, desde crianças, ouvimos: uma coisa de cada vez.

É desafiador, mas essencial voltarmos aos básicos. Viver o momento, com foco naquilo que estamos fazendo, afinal, tudo nessa vida é uma construção que acarretará em algo bom ou ruim, seja logo ali na frente, ou daqui um tempão. Pensarmos que o tempo gasto não volta e que nem sempre a conquista material é a melhor recompensa.

Quando foi a última vez que você tomou um café com seus amigos? E se deu ao luxo de simplesmente sentar e esperar, sem olhar pro celular, agenda, ou sentir remorso? Esperar o que? Seja o ônibus, a fila, o tempo passar… Olhe ao redor. Veja quem e o que está a sua volta. Invista seu tempo naquilo que vai fazer a diferença no seu “ser”, e não no “ter”. Como bem dizem os italianos: il dolce far niente!

E faça isso antes que seja tarde, porque, roubando a citação de Mujica: tudo se compra, menos o tempo.