O que a família Smith tem a nos ensinar sobre representatividade

Quem viveu os anos 90 e começo dos anos 2000 lembra do seriado “Um maluco no pedaço” sendo exibido ad nauseam no SBT (sim, jovens, na época tv a cabo custava uma fortuna e Netflix era uma locadora restrita aos EUA, que mandava filmes para a casa dos clientes, e as redes de TV abertas eram as provedoras de série de pelo menos 90% da população). A figura de Will Smith fez parte da infância e adolescência de muita gente que beira/vive os 30 anos hoje.

Apesar da comédia pastelão, a série significou muito mais socialmente do que se imagina. Há uma forte crítica à cultura racista nos Estados Unidos. Desde o Tio Phil, um negro bem sucedido, que desenvolve cada vez mais hábitos “brancos”. O preconceito entre os próprios negros, quando um suburbano vai viver em meio à alta sociedade. Até o episódio que Will e Carl são presos por estarem dirigindo uma BMW e serem negros.

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Em uma época onde o tema era ultra delicado (assim como ainda é hoje, basta ver a polêmica que Beyoncé causou ao falar sobre racismo em Lemonade), ter uma série com elenco quase todo negro, foi algo revolucionário. Isso incomodou incomodou e precisou de muito humor para ser digerido.

Muitos anos se passaram. Will se tornou uma mega celebridade, com uma expressividade incrível e reconhecimento da crítica. E quem chegou para levantar polêmicas novamente foram seus filhos: Willow e Jaden.

Smith 2Aos 13 anos Willow apareceu em uma foto no Instagram deitada na cama junto ao ator Moises Arias, de 20 anos. Ao se tornar polêmica na mídia, a família Smith se pronunciou afirmando que acreditava na maturidade da filha e que eles não pulariam etapas. Aos 14 anos a menina usou uma camiseta de Jean Paul Gaultier que tinha estampa de seios. Polêmica novamente! Ao ter os dedos apontados para a atitude, ela simplesmente afirmou que não via razão para as mulheres terem que esconder tanto o corpo. Se mostrou feminista desde cedo, virou artista e sempre usou a expressividade para a conscientização. 

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Já Jaden dispensa apresentações. Afinal, ele é um dos assuntos mais comentados do momento por um motivo muito discutido: acreditar que roupas não têm gênero. O garoto usa tanto saias quanto calças, já estampou uma campanha feminina da Louis Vuitton e não tem problemas em falar sobre o assunto ou sexualidade (ele já declarou que se sente atraído por homens).

Embora tudo isso pareça polêmica e jogo de marketing (ninguém pode garantir que não seja), a família Smith tem muito a nos ensinar sobre expressividade. Desde o pai, que trouxe à tona o racismo em uma época que o assunto era velado, até os filhos que não têm medo de mostrar quem são de verdade.

Quando penso em uma construção de marca, sempre bato na tecla de que ela precisa ser concisa e verdadeira, porque de nada adianta vender um peixe que não podemos entregar. E isso tudo vem da nossa cultura, do que aprendemos em casa, realmente acreditamos, o cenário em que nos encaixamos e o público que desejamos atingir.