Moda é sobre autoconhecimento

IMG_3022Semana passada foi meu aniversário. Ao longo dos 27 anos de vida, aprendi muita coisa, mas acima de tudo a me conhecer. É incrível como a maturidade nos faz olhar para nós mesmos com perspectivas de futuro maiores do que quando temos 18 ou 20 e poucos anos. Uma das maiores provas de que estamos em constante amadurecimento é nosso estilo. Como a roupa nos define?

Tudo começa ainda na adolescência. Passamos a fase da infância toda influenciados por nossa família. O que vemos nossa mãe, pai, irmão, avós vestindo, são o que consideramos “normal”. Já quando chegamos aos 14 anos, vemos a roupa como uma maneira de pertencimento. Isto ocorre porque ao desenvolvermos nossos gostos pessoais (alguns se tornam esportivos, outros se identificam com estilo musical x, e por ai vai), nos identificamos mais com algumas pessoas e traduzimos isto através do visual.

Por isso aquela pessoa que é referência em determinado grupo acaba influenciando tanto os demais. Mas evoluímos, chegamos à fase adulta e, embora tenhamos nosso próprio dinheiro para fazermos o que bem entendemos, precisamos adaptar nossas roupas ao mercado. Na faculdade acontece a mesma coisa. É engraçado reparar que se num mesmo prédio estudam alunos de comunicação, outros de medicina e outros de direito, é fácil identificar a “tribo” de cada um.

Acho que quando nos aproximamos dos 30 (meu caso), que já começamos a nos estabilizar numa carreira, sabemos o que gostamos e o que não curtimos, tudo se redefine em nossas cabeças. Meu caso era o seguinte: por trabalhar com moda desde muito cedo (saudades, 2009), via muitos estilos que gostava e me identificava. E queria usar todos. Por isto, cada dia estava praticamente fantasiado daquilo que queria passar. Era um excesso de referências que se misturava na minha cabeça e se traduzia em um estilo que alguns podem chamar de criativo e outros de exagerado.

No último ano passei por uma transformação pessoal muito grande. Comecei a ver o mundo de outra maneira. Foquei minhas referências e inspirações em quem realmente me interessava e redefini meu estilo. Me descobri um amante de listras (isso começou em Paris), de peças atemporais e fiquei muito mais seletivo na hora de eleger as tendências que entram ou não no meu closet.

Por isso posso afirmar com mais convicção do que nunca que moda se trata de autoconhecimento. Precisamos saber quem somos, o que gostamos e para onde queremos ir, para definir um estilo que vai nos representar e nos tornarmos mais acertivos tanto na hora de montar um outfit, quanto naquela imensidão de possibilidades que uma loja nos oferece.

Minha sugestão é a seguinte: seja seu terapeuta. Abra seu armário e veja qual peça tem um real significado para estar ali. Quais delas dizem ao mundo quem você é e passam a mensagem desejada (esqueça preconceitos e estilos ditados). Você vai ver como a roupa fala muito mais do que você pode imaginar. E não se surpreenda se, daqui alguns meses repetir a atividade e ver que tudo mudou.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s