5 meses depois, 10 kg a menos

Já leu meu post de dezembro falando sobre a minha dieta e os resultados alcançados até então? Se ainda não, clique aqui e leia para entender tudo.

Agora sim, vamos lá! A guerra contra a vida de gordinho continua. Não acredito que haja um processo de emagrecimento fácil, uma porque, se tu perder peso muito rápido, vai recuperá-lo mais rápido ainda. Outra que é uma readaptação, e tudo o que nos tira da zona de conforto, é um desafio.

De dezembro pra cá muita coisa mudou. O peso oscilou muitas vezes e fiquei até fevereiro na luta para sair dos 100 kg. Para quem não tem dificuldade de emagrecer, e mais ainda para quem tem dificuldade de engordar, isso pode parecer besteira. Mas muitas vezes parece que estamos empacados em um peso e, por mais que nos esforcemos, sair dele é uma luta.

Outro detalhe que precisamos lidar durante uma dieta é com a oscilação de peso. Por exemplo, no dia 3 de fevereiro eu estava com 98,9kg, no dia 18, já havia voltado aos 99,4 e fiquei nessa casa até março. Por mais que isso seja desanimador, não desista. A Bella me explicou que as oscilações se devem a diversos fatores, e não só aos cuidados que temos na alimentação. Em dias mais quentes o corpo retém mais líquido, o que nos deixa inchados. As vezes, por falta de algum nutriente, nosso intestino não funciona como deveria, o que também influencia.

Mas e ai, como eu perdi 10 quilos?

10 kg a menos p&B

Um dos fatores que mais mudou nisso tudo, foi a minha conscientização quanto à alimentação. Sabe aquela história de que o veneno e o antídoto têm a mesma procedência, o que muda é a dosagem? Pois então, nossa alimentação consiste mais ou menos nisso. Minha dieta não é muito restritiva. Como o que tenho vontade de comer, mas em porções aceitáveis. Claro que não vou comer uma pizza inteira, mas posso comer algumas fatias e compensar depois com exercícios. Não vou sentar e comer meio bolo de uma vez, mas uma fatia hoje, outra amanhã… É importante fazermos escolhas. Não dá pra comer gorduras o tempo todo. Mas de vez em quando, para matar a vontade, não é crime nenhum.

Ainda nessa questão da conscientização, aprendi o mal que a comida industrializada nos faz. Aquele bolo pronto, que dura por dias guardado, com certeza tem muitos elementos que não nos fazem bem. Portanto, antes de sair por ai comprando comidas prontas de grandes marcas, que tal prezar pelo preparo? Acha isso pouco prático? Escolha aquela empresa pequena, da sua cidade, que você sabe a procedência do produto.

Os exercícios foram outros grandes aliados na hora de perder todo esse peso. Em algumas fases (geralmente quando eu estava com mais tempo livre), comia muito. É a ansiedade falando mais alto. Se eu não tivesse o compromisso de fazer meu treinamento funcional três vezes por semana na Icevat, provavelmente teria engordado. Como mantive a rotina, apenas mantinha a média de peso.

Meus treinos estão mais pesados. Percebo que há uma evolução frequente. Além de estar cansando menos, consigo fazer mais exercícios de força, o que antes era um sacrifício e os resultados começam a aparecer no corpo. Nos últimos tempos pedi para o Vini diminuir a intensidade dos exercícios de perna, porque ganho musculatura muito fácil nessa parte e fico com as coxas muito grossas. Em compensação, fazemos um reforço nos braços, para eu criar cada vez mais tônus. E para quem, assim como eu, pensa em desistir porque é puxado, coloque na cabeça que aquela uma hora ou seja lá o tempo que você dedica à academia, pode fazer toda a diferença no resultado final.

Hoje estou pesando 96,4kg (contra 106,4kg de novembro), e ainda quero eliminar 6,4kg, talvez um pouco mais, para ter aquela zona de conforto e as vezes poder dar uma derrapada. Dessa vez, diferente de outras, não estou fazendo tudo isso pra não sofrer numa viagem ou ficar bem para vestir uma roupa, mas sim porque estou em busca de um estilo de vida cada vez mais saudável.

Coloco abaixo o contato da Bella Mafissoni e da Icevat, os profissionais que super me auxiliam nessa caminhada.

Bella Mafissoni (Clínica Vivendi): 3011-3007/9995-5703

Studio Icevat: 9988-5746 (Vinícius)

 

O jeans rasgado e a roupa sem sexo

Lembro como se fosse hoje:eu devia ter em torno de 12 anos, estava formando meu estilo (por incrível que pareça, nunca fui daqueles que queriam o mesmo que os coleguinhas), era tradição eu ir ao Centro da cidade com a minha mãe para pagar contas e comprar roupas novas. Eram as tardes mais divertidas da minha infância, quando eu saía com ela e podia me emergir inconscientemente em um mundo feito de peças penduradas em araras e lojas cheirando a sapatos novos.

Ao passar na vitrine de uma loja, meus olhos brilharam. Era uma calça jeans linda, rasgada, num tom claro, bem estonado que atraiu minha atenção. O corte era reto, ainda não tinha começado a moda das calças skinny. Foi paixão à primeira vista, e alguns dias para convencer a minha mãe que eu precisava comprar uma calça que já vinha rasgada. Mas consegui.

Fomos à tal loja. Meu coração cheio de felicidade, afinal, teria o jeans rasgado que tanto amei. A vendedora olhou com uma cara estranha, como se não lembrasse da peça. De longe eu vi e disse: “É essa!”. Ela, de pronto, soltou: “Querido, essa calça é feminina, infelizmente. Mas tu pode olhar as masculinas aqui”, apontando para uma arara cheia de calças largas, com um estilo insonso, em cores básicas e sem um rasgo sequer.

Saí da loja extremamente frustrado e, claro, sem comprar calça nenhuma. Durante a tarde fui lembrando de peça por peça que tinha no guarda-roupas e lembrei: eu tenho jeans num tom próximo daquele, por que não rasgar? Me escondi e fiz. Em poucos minutos estava eu, feliz como nunca, com meu jeans rasgado. E minha mãe com uma vontade imensa de me matar, por eu ter detonado uma peça que ela guardava para eu usar em ocasiões especiais.

Cresci, comecei a comprar minhas roupas. A moda do jeans super rasgado, como era na minha adolescência, passou. Mas a minha paixão por este estilo continuou. Há uns cinco anos encontrei uma calça rasgada em uma loja. Compensei minha frustração da infância e adquiri. Com o tempo ela foi rasgando mais e mais, até chegar ao estado que está hoje.

Jeans rasgado(O rasgo no joelho eu mesmo fiz, com tesoura e faca, como na adolescência.)

Escrevi este post por dois motivos, que explico abaixo.

1 – Calça jeans rasgada está na moda novamente. O retorno do estilo grunge trouxe de volta esse clássico sinônimo de rebeldia. Você pode apostar nas peças compradas em lojas, ou ir além e fazer do jeito autêntico, pegando uma calça esquecida no fundo do armário e colocando sua personalidade nos puídos e rasgos (alô, sustentabilidade e economia).

2 – Mães, pais, vendedores e vendedoras: não deixem uma criança se frustrar dizendo que uma roupa é “para menino” ou “para menina”. Mais do que nunca podemos afirmar que roupa não tem sexo e não é uma saia ou uma calça que vão modificar a personalidade da pessoa. Lojistas, sigam exemplos de lojas como a Selfridges, de Londres, que aboliu as divisões masculina e feminina e apresenta as roupas juntas e treinem suas equipes para ver isso com naturalidade. Não é feio, não é estranho, não é motivo para piadas. É apenas um pedaço de roupa costurado, que materializará o que queremos mostrar ao mundo.

P.S: já comprei muita calça feminina depois de adulto. E, pasmem para muitos, ninguém perguntou.

Sobre os bons e eternos básicos

Vocês já repararam com a quantidade de oferta de roupas básicas por ai? São marcas e mais marcas que surgem no mercado propondo aquilo que até um tempo atrás estava atrelado apenas a etiquetas como a Hering: os básicos.

Aquela roupa lisa, ou com estampa super discreta, que você pode usar várias vezes sem se preocupar muito, ou abusar de outros elementos, como os acessórios, sem carregar demais o visual. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas você já parou pra pensar que talvez seu estilo não tenha nada a ver com isso?

BásicoDurante muito tempo eu fui a prova viva disso. Achava que roupa lisa não era pra mim, e meu guarda-roupa era cheio, mas cheio mesmo, de estampas. E isso é super ok. A pessoa que gosta de cores fortes, desenhos alegres e tudo mais que a roupa extravagante pode proporcionar, segura esse look valendo e dificilmente está over.

Mas eu mudei. Já falei disso por aqui. Passei a amar em mim roupas básicas, que antes via nos outros, achava o máximo, mas quando vestia, parecia que faltava alguma coisa. E vejo em uma roupa lisa um mar de oportunidades. E antes de mais nada, a regra é essa: não é porque o estilo básico está em alta, que você deve aderir. Talvez seu momento seja outro, ou seu gosto seja oposto a isso. Acima de tudo, não só na moda, mas na vida, respeite-se!

Acho que algumas dicas são boas para quem quer aderir o estilo básico. São aprendizados que eu vivi ao longo de um ano de transição de estilo e acredito que valha compartilhar.

  1. Opte pela qualidade – A roupa básica tem uma vantagem: por mais que o estilo saia de moda, você vai poder usar a peça por muito tempo, pois ela dificilmente vai parecer datada. Por isso, mesmo que o preço baratinho (sério, a Renner tem camisetas lisas por R$ 19,90), opte pela qualidade. Escolha um tecido bom, coloque do avesso, analise as costuras, observe os detalhes, preze por um caimento impecável. Ou seja, pode ser uma camiseta, mas você deve escolher como se fosse uma peça de alta-costura.
  2. Invista em acessórios – Eles são os melhores aliados para não parecer que você está sempre com a mesma roupa. Por isso, pulseiras, colares, chapéus, lenços e, principalmente, sapatos que demonstrem a sua personalidade são o complemento ideal para aquele look com super pouca informação.
    Outra vantagem é que eles duram muito, no caso das bijuterias custam menos que uma roupa nova, e conferem novos ares a qualquer look.
  3. Encontre seu estilo – Mesmo dentro dos básicos, existem variações de estilo. Talvez você prefira as roupas mais largas, ou goste mais dos justos. Queira comprimentos mais longos, ou vai se sentir mais a vontade nos curtos. Essa é uma questão que desenvolvemos com o tempo e exige muitas horas dentro de provadores. Queria eu me sentir super bem vestido com uma roupa largona, mas percebo que não é meu estilo e prefiro continuar apenas achando demais quando os outros vestem.
  4. Mistute com outros estilos – Fato é que mais cedo ou mais tarde vai dar a louca de querer usar uma estampa mais ousada, ou uma cor mais forte. E não tem nada de errado com isso. Portanto, não saia fazendo uma limpa no seu guarda-roupas. Guarde algumas peças mais exageradas para os momentos que você tiver vontade de dar uma ousada. E misture com suas peças básicas. Com certeza as pessoas perceberão.
  5. Estampas básicas – Algumas estampas são super básicas. É o caso da listra, da risca de giz, do petit poá. Com certeza o investimento em peças com elas vale tão a pena quanto em uma roupa lisa. São atemporais e representam estilos clássicos da moda.

Enfim, tem gente que já nasceu básica. Outros desenvolvem isso com o tempo. O que importa é estar feliz com o próprio estilo e, dentro das possibilidades de preto, branco, cinza e bege, encontrar possibilidades de demonstrar sua personalidade através da roupa.

Fashion Revolution em Lajeado

Fashion revolution 1Tu já parou pra te perguntar pelas mãos de quem a roupa que tu está vestindo passou? Ou, pelo menos, se ela foi confeccionada em um ateliê legal, que não tem trabalho escravo? É essa pergunta que o movimento Fashion Revolution faz para as pessoas há dois anos.

Para entender melhor, o Fashion Revolution surgiu em 24 de abril de 2014, exatamente um ano após 1.133 pessoas morrerem quando o complexo de fábricas Rana Plaza desabou em Dhaka, Bangladesh. Muitos outros ficaram feridos. Infelizmente este caso não foi isolado, e catástrofes sociais e ambientais continuam acontecendo na indústria da moda, em vários lugares do mundo. Desde então, são realizadas ações ao redor do mundo buscando a conscientização de uma indústria mais justa e humana.

E o mais bacana, Lajeado vai ter sua versão, encabeçada pelo coletivo de moda Modarde. Na terça-feira, 19, vai ser realizado o primeiro Fashion Cine com o tema Re.Mode: moda como resistência. Haverá exibição do documentário True Cost e após bate papo com a produtora de moda Marcela Silva, e a designer Thaisa Ayessa.

Fashion Revolution Modarde

O evento inicia às 19h, no coworking Oficina 670, no Genes Work & Shop e o melhor, tem entrada franca. Na oportunidade, o grupo vai discutir o trabalho escravo, a indústria da moda, marcas e profissionais que produzem com respeito e responsabilidade, valorização do trabalho autoral, entre outros temas.

Outra ação super bacana: durante o evento também haverá à disposição um guarda-roupa compartilhado com peças que poderão ser levadas ou trocadas. “A intenção é mostrar que a roupa precisa circular e ser usada, não jogada fora. A indústria da moda é a segunda que mais polui no mundo”, explica Vera Darde, uma das responsáveis pelo Modarde.

Fashion Revolution 2

Sobre o documentário

The True Cost mostra a verdade por trás da roupa barata, apresentando ateliês em países subdesenvolvidos, onde pessoas trabalham por menos de 1 Dólar por dia e grandes marcas barganham preços cada vez mais baixos.

Através de pessoas reais o documentário mostra como toda a indústria, desde a plantação de algodão até o consumidor, precisa estar engajada na causa para um consumo mais consciente. Quer saber mais? Reveja este post falando sobre o doc.

Moda é sobre autoconhecimento

IMG_3022Semana passada foi meu aniversário. Ao longo dos 27 anos de vida, aprendi muita coisa, mas acima de tudo a me conhecer. É incrível como a maturidade nos faz olhar para nós mesmos com perspectivas de futuro maiores do que quando temos 18 ou 20 e poucos anos. Uma das maiores provas de que estamos em constante amadurecimento é nosso estilo. Como a roupa nos define?

Tudo começa ainda na adolescência. Passamos a fase da infância toda influenciados por nossa família. O que vemos nossa mãe, pai, irmão, avós vestindo, são o que consideramos “normal”. Já quando chegamos aos 14 anos, vemos a roupa como uma maneira de pertencimento. Isto ocorre porque ao desenvolvermos nossos gostos pessoais (alguns se tornam esportivos, outros se identificam com estilo musical x, e por ai vai), nos identificamos mais com algumas pessoas e traduzimos isto através do visual.

Por isso aquela pessoa que é referência em determinado grupo acaba influenciando tanto os demais. Mas evoluímos, chegamos à fase adulta e, embora tenhamos nosso próprio dinheiro para fazermos o que bem entendemos, precisamos adaptar nossas roupas ao mercado. Na faculdade acontece a mesma coisa. É engraçado reparar que se num mesmo prédio estudam alunos de comunicação, outros de medicina e outros de direito, é fácil identificar a “tribo” de cada um.

Acho que quando nos aproximamos dos 30 (meu caso), que já começamos a nos estabilizar numa carreira, sabemos o que gostamos e o que não curtimos, tudo se redefine em nossas cabeças. Meu caso era o seguinte: por trabalhar com moda desde muito cedo (saudades, 2009), via muitos estilos que gostava e me identificava. E queria usar todos. Por isto, cada dia estava praticamente fantasiado daquilo que queria passar. Era um excesso de referências que se misturava na minha cabeça e se traduzia em um estilo que alguns podem chamar de criativo e outros de exagerado.

No último ano passei por uma transformação pessoal muito grande. Comecei a ver o mundo de outra maneira. Foquei minhas referências e inspirações em quem realmente me interessava e redefini meu estilo. Me descobri um amante de listras (isso começou em Paris), de peças atemporais e fiquei muito mais seletivo na hora de eleger as tendências que entram ou não no meu closet.

Por isso posso afirmar com mais convicção do que nunca que moda se trata de autoconhecimento. Precisamos saber quem somos, o que gostamos e para onde queremos ir, para definir um estilo que vai nos representar e nos tornarmos mais acertivos tanto na hora de montar um outfit, quanto naquela imensidão de possibilidades que uma loja nos oferece.

Minha sugestão é a seguinte: seja seu terapeuta. Abra seu armário e veja qual peça tem um real significado para estar ali. Quais delas dizem ao mundo quem você é e passam a mensagem desejada (esqueça preconceitos e estilos ditados). Você vai ver como a roupa fala muito mais do que você pode imaginar. E não se surpreenda se, daqui alguns meses repetir a atividade e ver que tudo mudou.