Profile: Sandra de Almeida

Profile

A entrevistada do Profile de hoje é a arquiteta Sandra de Almeida, que encabeça o escritório de arquitetura que leva seu nome. Arrojada, busca referências no mundo e mostra uma pluralidade de inspirações, aplicadas nos mais diversos tipos de projeto. Gosta de incluir toques de cor e tem o estilo do cliente como prioridade. Apaixonada por projetos de interiores, desde criança se encantava com a estética dos ambientes.

Sandra Almeida

Blog Douglas Petry – Por que a arquitetura?

Sandra de Almeida – Eu amo a arquitetura. Desde sempre quis estudar isso, nunca tive dúvidas. A minha única dúvida foi o que seguir dentro dela. Eu sempre soube e gostei de design, de interiores, decoração. Também tenho afinidade com moda, que considero andar muito junto, nas tendências, estampas, cores e mudanças rápidas.

BDP – É um mercado cada vez mais forte?

Sim, as pessoas estão valorizando muito a arquitetura. Nosso padrão de moradia mudou muito. Passamos de casas grandes para apartamentos muito pequenos e carregamos muitas coisas conosco. É preciso se adaptar.

Um casal jovem que se muda para um apartamento de 60m² comparado com uma casa maior, mesmo que dividida com os pais, sente um impacto. Muitas vezes não se faz ideia de como organizar tudo o que tem dentro desse espaço. Na verdade é uma adaptação de vida. Mudam os hábitos, o dia a dia. As pessoas precisam muito de ajuda para fazer essa organização.

Às vezes me procuram e dizem que poderão fazer o projeto no momento, o que é compreensível, porque fizeram um investimento muito grande na compra, mas logo depois voltam porque tentaram sozinhas e não deu certo, o resultado não ficou do jeito que queriam. Na loja o móvel tem todo um estilo por trás, se não for algo planejado, pensado para se adaptar ao que a pessoa gosta, não fica bacana.

BDP – E o papel do arquiteto é desvendar o que o cliente gosta, né?

Isso. O vendedor da loja não se envolve com a história e os gostos da pessoa. Quando me contratam eu digo que vou virar praticamente parte da família, porque é uma ligação muito grande que temos por um tempo. Entramos bem a fundo na vida delas.

BDP – E tu achas que caiu um pouco por terra a ideia de que ter um arquiteto era coisa para rico?

Mudou muito essa cultura. Todo mundo se igualou um pouco. O padrão das pessoas está muito parecido. Pelo menos no meu círculo de amizades e clientes, a maioria são jovens, que estão começando a vida, comprando o primeiro imóvel. Eu busco muito esse tipo de cliente. Porque eu estou crescendo, eles também, então fazemos isso juntos. Eu quero acompanhar isso. Hoje eu posso estar fazendo uma sala e no futuro a casa inteira.

Hoje o arquiteto é mais para a classe média, que tem a necessidade de adaptação do ambiente, do que pessoas muito ricas, que têm mais espaço para organizar. Às vezes 10 centímetros fazem toda a diferença no projeto. As medidas são muito importantes e o olho do arquiteto já está treinado para perceber o que cabe ou não.

BDP – Qual a importância de ter referências culturais, visuais, além da experiência profissional?

Hoje, com Facebook, Instagram e Pinterest, temos referências o dia todo. Se algo acontece na Europa, logo ficamos sabendo. Antes de começar um projeto eu sento para ver algumas ideias. Muitas vezes percebo as tendências e em cima disso eu tiro um norte para o projeto.

Acontece dos clientes virem com imagens e dizendo que querem fazer igual. Mas não é tão fácil adaptar um projeto a outro. Na verdade cada espaço é muito peculiar. O que dá pra fazer em um ambiente, em outro, com a mesma área, não é possível. Referências de mostras como Casa Cor, principalmente, são complicadas. A casa da feira não é montada para ser usada, e muito do que está lá não funciona no dia a dia.

Eu fico muito ligada em tendências, feiras, eu adoro viajar. É bom estar sempre por dentro para se inspirar, mas não para copiar. Todos os projetos do escritório sou eu que crio. Tenho duas pessoas trabalhando comigo, mas a parte de criação eu faço questão de fazer. Claro que não dá pra fazer isso a vida inteira. Existem escritórios muito grandes, com projetos enormes, que não tem como. Mas hoje eu ainda prezo por isso.

BDP – O que diferencia um bom arquiteto?

Eu acho que é justamente os que estão antenados para buscar referenciais e sabem o que está em alta, estando a frente do que é comum no momento. Por exemplo, eu sei o que vai estar em alta em 2016 e 2017. Às vezes coloco algo que ainda não foi visto em um projeto e o cliente fica inseguro, mas no fim da obra eles veem que era o certo.

O atendimento ao cliente também é muito importante. As vezes não posso atender um telefonema, mas mando uma mensagem ou, se for muito urgente, peço para a minha equipe entrar em contato.

Outra coisa que eu cuido muito é respeitar o dia a dia das pessoas. Eu não posso impor o que estará no projeto. Eu posso argumentar algumas coisas, mas se o cliente achar outra ideia melhor, eu preciso respeitar. A arquitetura tem muito a ver com bom gosto, e o que é bonito pra mim, pode não ser pra ti. Por isso é importante ter vários estilos de arquitetos.

BDP – Tendência ou identidade?

Identidade. As duas coisas devem ser equilibradas, mas se for para escolher, eu preciso respeitar as características do cliente. Claro que eu preciso gostar do projeto, mas ele precisa ter a cara de quem for viver lá. Não adianta colocar algo que a pessoa não goste.

BDP – Quais os desafios de tocar um escritório de arquitetura?

Conseguir conciliar tudo. É preciso sentar para projetar, estar em contato tanto com o cliente com a obra e isso tudo multiplicado pelo número de projetos. O arquiteto é o ponto de ligação entre o cliente e o fornecedor. Então é preciso agradar o cliente, mas sem criar um atrito com o fornecedor, porque o andamento só dará certo se tiver quem execute.

Eu fico muito feliz quando o cliente gosta do projeto. A indicação é a melhor prova disso. E posso dizer que em torno de 80% dos meus clientes vêm porque me indicaram. Esse é um grande reconhecimento.

BDP – Para finalizar, quais são as tuas tendências aposta para os próximos anos?

Acredito que ano que vem e em 2017 veremos muitos tons de azul, desde os acinzentados, até o jeans, brincamos que serão 50 tons de azul. Muito metal, como cobre e ouro, que aparecem em papeis de parede imitando placas de metal, porcelanato que reproduz a aparência de aço. Mármore, desde o verdadeiro até versões feitas em porcelanato e papeis de parede.  Formas geométricas em todos os materiais. Também têm as estampas jungle, que imitam florestas, folhas, dando uma conexão com a natureza. E, por fim,  alguma inspiração surrealista, estampas menos comuns. Hoje em dia as tendências demoram para caírem em desuso. Por exemplo, o móvel em laca entrou há uns cinco anos e está ai até hoje.

Foto Sandra: Daniela Algayer/Rose’s Fotos/Divulgação

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