Guide: dieta sem sofrimento

GuideQuem também pegou pesado nas gordices de Natal dá um grito ai. Caramba, eu esqueci um pouco da dieta e me deixei levar pelas gostosuras que apareciam pela frente. Mas foram aqueles diazinhos e ponto. É hora de voltar para a alimentação regrada.

Se segunda-feira já é o dia mundial da dieta, imagina depois dessas festividades. O desejo é grande, mas nem sempre suficiente. Muitos têm dúvidas de como dar aquele start numa rotina alimentar saudável e se prendem a regras e mitos que, muitas vezes, caem por terra.

Para sanar muitas dessas dúvidas, fiz um bate papo com a minha nutricionista, a Bella Mafissoni e compartilho aqui com vocês, para deixar de lado muitas daquelas implicâncias que temos com a tão temida palavra dieta.

Vamos ao que interessa?

Frutas dieta
Frutas, as melhores amigas da dieta

Blog Douglas Petry – Dieta é sinônimo de passar fome?

Bella Mafissoni – Jamais. A dieta não pode ser sinônimo de passar fome. É claro que ao longo de uma reeducação alimentar o ser humano pode passar algumas vontades, principalmente quando está abandonando alguns vícios (doces, balas, refrigerantes, álcool, etc). Mas não há necessidade de passar fome. A dieta deve suprir as necessidades nutricionais do paciente, causando bem estar.

BDP – É realmente necessário uma pessoa beber 2 litros de água por dia? Qual a importância disso no organismo?

Bella – Esta é uma média feita para a população. Um calculo mais preciso é 35 ml de água por Kg de peso do paciente. Por exemplo, um paciente de 65 Kg necessita de 2,275 litros de água por dia.

BDP – Qual seria o prato perfeito? 

Bella – O prato perfeito inclui saladas variadas e coloridas, um tipo de carboidrato (arroz, batata, massa, polenta, aipim/mandioca), um tipo de leguminosa (feijão, lentilha, grão de bico), um tipo de carne (frango, peixe, carne vermelha). Além disso, o prato ideal deve variar a cada dia. Evite a monotonia alimentar.

BDP – Por que se diz que é necessário comer de três em três horas? O que acontece com o corpo quando não fazemos isso?

Bella – É necessário alimentar-se de três em três horas para que o corpo fique em constante “giro”, ou seja, em constante queima calórica. O corpo não deve passar por longos períodos de jejum e estocar gordura. Ele deve estar sempre consumindo aquilo que é fornecido e pronto para receber novo alimento a cada três horas.

BDP – Existem muitos produtos light e integrais industrializados. Podemos confiar neles? Como aprender a identificar os bons? E qual a importância de lermos o rótulo antes de comprar?

Bella – Devemos ser críticos ao ler os rótulos. Em alguns realmente podemos confiar. Em outros não. Por exemplo, um produto que se diz rico em fibras não pode conter somente 1 grama de fibra, já que o ser humano deve consumir em torno de 25 gramas de fibra por dia. E assim por diante. Devemos estar ligamos. Assim como é importante prestar atenção nas quantidades de açúcar, sódio, corantes, etc.

BDP – É uma regra que as pessoas precisam ingerir duas mil calorias por dia? Como funciona esse cálculo?

Bella – Não é uma regra. Cada ser humano tem uma necessidade diferente. O Cálculo é mais complexo e leva em conta uma série de fatores como idade, sexo, altura, atividade física, entre outros.

BDP – É possível emagrecer sem exercícios? Qual a diferença deles no processo?

Bella – É possível, porém é um emagrecimento mais lento e não tão saudável. Uma vez que o emagrecimento acompanhado de atividade física é capaz de criar massa magra no paciente.

BDP – Quais seriam os alimentos indispensáveis numa dieta?

Bella – Com certeza seriam frutas, verduras, proteínas magras e água!

Cuisine: bolo integral super fácil

CuisineNão, eu não espero que você pare de planejar a gordice que está desejando para o fim de semana. Mas anote essa receita, porque provavelmente vai lembrar dela na segunda-feira ou quando der aquela vontade louca de entrar numa dieta.

Eu sempre tive uma certa implicância com bolos integrais (principalmente os que encontrava no mercado). Achava secos, sem sabor, com tanta graça quanto comer um pedaço de esponja (desculpem as exceções). E quando comecei a pesquisar dietas para fazer durante a dieta, confesso que fiquei receoso de fazer o tal bolo integral. Mas tomei coragem e fiz.

Surpresa! Ele é uma delícia. A massa é super molhadinha e o sabor excelente. Mas não se confunda. Não é porque o bolo é integral que você pode comer inteiro (acredite, essa vontade vai bater). Ele ainda é um carboidrato e vai te engordar. Portanto, consuma com parcimônia.

Colo integral fácilIngredientes

  • 3 ovos
  • 1/2 xícara de chá de leite desnatado
  • 1/2 xícara de chá de óleo de milho
  • Aproximadamente duas bananas maduras amassadas
  • 1 xícara de chá de açúcar mascavo
  • 1 e meia xícara de chá de farinha integral
  • 1 xícara de chá de aveia
  • 1 colher de sopa de fermento
  • Canela a gosto

Preparo

Bata os ovos, leite, óleo e as bananas no liquidificador (se você amassar as bananas pode apenas misturar com o batedor de arame). Acrescente o açúcar e bata mais um pouco.
Numa vasilha junte a farinha, aveia, canela e o fermento. Misture com os ingredientes líquidos. Se quiser, coloque pedaços de banana, maçã, ou alguma outra fruta por cima para enfeitar e dar sabor.
Leve ao forno pré-aquecido a 180°C por aproximadamente 45 minutos.
Eu faço essa receita em duas formas de pão médias. Ficam menores, mas ótimos para dosar durante a semana.

Guide: cuecas com DNA (e estilo) francês

GuideTodo homem já ganhou aquele temido presente de vó: cuecas. Sem muito estilo, mas com muita utilidade, elas passaram a ser sinônimo de uma peça chata, usada apenas pela necessidade. Mas algumas marcas estão se propondo a mudar isso. É o caso da Le Slip Français, label francesa criada por Guillaume Gibalt em 2012, que se tornou famosa por ser uma releitura de modelos antigos e respeitar o DNA francês.

Le Slip Français 3As principais características das cuecas da Le Slip Français são o corte levemente retrô, materiais confortáveis, principalmente o algodão, elástico patriótico, com as cores da França, e o selo made in France. Toda a mão de obra e matéria-prima vem dos arredores de Paris e o azul e vermelho são as cores base da coleção.
Guillaume percebeu que era o mercado de cuecas era bacana de trabalhar e tinha poucas neo marcas nos últimos anos. Decidiu atualizar os modelos usados pelos homens de antigamente.

Le Slip Français 2
Em quatro anos a marca vendeu mais de 250 mil unidades, vendas impulsionadas tanto pelo design quanto pelas campanhas publicitárias virais. Aproveitaram as eleições presidenciais de 2012 para criar a primeira, usando de discursos políticos para mostrar que existia uma esperança para retomar o amor pelo underwear.

Le Slip Français 1
O desenvolvimento das coleções é feito por uma equipe parisiense. Escolhem um personagem ou local como tema e, a partir de dois universos fortes que querem trabalhar, elegem duas cores fortes derivadas do azul e do vermelho obrigatoriamente. Depois desenvolvem estampas ligadas à história contada. As barras das cuecas têm, na maioria dos modelos, as cores da bandeira da França e todas elas ganham um selo Le Slip Français.
Nem só de vendas na França vive a marca. Fazem colaborações com grandes nomes da moda, como a Selfridges, para quem criaram uma coleção inspirada em um  frenchy  sulista chegando em Londres, mesclando as duas culturas.
A marca começou vendendo apenas com o modelo slip, mas hoje já vendem boxer, shorts de banho, galochas, toucas, malas, entre outras ousadias. Sucesso made in France.

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Selfie: de volta para a dieta

Selfie

Tenho uma relação antiga com a palavra “dieta”. Até poucos anos atrás minha mãe era obesa e adepta do efeito sanfona. Engorda, emagrece, seca, incha… Sempre acompanhei a luta dela contra a balança (que coisa clichê, hein?). Quando cheguei no terceiro ano do Ensino Médio, percebi que eu precisava entrar nessa onda. Estava muito acima do peso e aquele era um momento decisivo. Emagreci muitos quilos, que consegui manter por um tempo.

Mais tarde, já trabalhando e seguindo uma rotina insana de jornal, engordei muito, mas de maneira gradativa. Decidi que faria uma dieta. Busquei ajuda da nutricionista Fabiela Mafissoni, a Bella. Passamos quase seis meses em um acompanhamento ferrenho e perdi aproximadamente 18 kg. Porém, deixei as consultas de lado e não consegui seguir com a dieta equilibrada.

Corta pro começo de 2015, mais precisamente fevereiro. Com viagem marcada pro fim do mês e o preparo físico de um velho (as poucas atividades físicas que fazia foram abandonadas durante 2014, mais ainda no fim, quando madrugava na redação), decidi dar um jeito para poder caminhar (minhas viagens são de mochilão e marcadas por muitas andanças e pouca comida) sem quase ter um infarto.

Dieta I
No auge do peso, com mais de 106 kg

Voltei para o acompanhamento da Bella e busquei um personal trainer. Objetivo atingido. Mesmo com pouco peso eliminado (devia estar na base de uns 101 kg), minha resistência física estava ok. De volta à vida real, descobri que perdi peso durante a viagem e sonhei que havia uma solitária mágica dentro de mim que transformava tudo o que eu comia em massa magra, afinal, eu emagreci comendo crepe e hot dog.

Óbvio que a ilusão durou pouco. Saí do emprego que tinha e comecei a trabalhar em home office. Aprendi a cozinhar e descobri a paixão por doces. Engordei, engordei, engordei… Fui viajar novamente, mas dessa vez para um lugar onde andei pouco e comi muito. Engordei, engordei, engordei. Com a barriga chegando antes de mim nos lugares, dizia que não estava na vibe de cuidar do corpo.

Em um dos freelas da vida, encarei a realidade. Fiz uma entrevista sobre uma dieta oferecida por uma empresa. Como se isso não fosse um choque de realidade, usei um cardigan que no inverno passado me servia e ele ficou muito apertado. Desesperado, saí da conversa e chamei a Bella. Era fato que eu precisava voltar para a dieta.

Conversamos novamente. A Bella é guerreira, afinal, em todos meus altos e baixos, nunca desistiu de mim. Ao contrário de todas as outras vezes que cuidei da alimentação, dessa eu sei preparar a minha comida, principalmente meus pecados. Os carboidratos que estou ingerindo são integrais. O açúcar refinado foi trocado pelo mascavo, que é uma delícia. Frutas fazem parte do meu dia a dia. A repetição ficou para o passado e equilíbrio é a palavra de ordem. (Não passarei meu plano alimentar porque ele é pensado para mim. Quem tiver interesse nisso, busque um nutricionista, que saberá passar o que você necessita. As dicas acima já são o suficiente para um start. Mudança de hábitos é um choque para o corpo no começo)

Dieta II
Caminhadas em ritmo mais rápido podem ser o começo da sua vida saudável

A dieta era o começo de tudo. Mas sabia que era necessário incluir algum exercício na minha rotina. Estava decidido e aproveitava todos os dias com sol para fazer alguma atividade externa, geralmente a caminhada. Um dia conversando com a minha amiga Carol, ela falou sobre um treinamento funcional que está fazendo. Me interessei (tanto pelo que ela me falou dos exercícios quanto pelo preço) e busquei a Icevat. Fui super bem atendido pelo professor Vinicius Masiero, que me explicou bem como funcionava e conseguiu me convencer a voltar para a segunda aula mostrando como é possível até mesmo a pessoa mais assumidamente preguiçosa se superar e se exercitar.

Estou há um mês nessa “luta” e emagreci 4,4 kg e 2 centímetros de circunferência abdominal. Pode não parecer muito, mas sinto que meu corpo mudou. A barriga desinchou, as calças entram com mais facilidade, a resistência, então, nem se fala. Aos poucos vou apresentar um pouco mais sobre essa rotina e os profissionais que me acompanham.

Vem comigo nessa batalha a favor da balança (sim, porque ela é nossa amiga e não inimiga).

Moda Mundo: duas dicas para quem ama moda

Moda Mundo

Meu fim de semana rendeu. Ganhei  no amigo secreto, da minha amiga de infância Lú, o livro Um Brinde a Isso, escrito por Rebecca Paley e que narra em forma de autobiografia a história de Betty Halbreich, que há quatro décadas atua como personal shopper na Bergdorf Goodman.

Um brinde a isso

Sua história de vida é instigante e narrada com detalhes que fazem o leitor viajar ao longo do livro. Betty foi casada com o bom-vivant Sonny Halbreich, com quem teve um casamento marcado por traições e emocionalmente distante. Depois que o casamento terminou, Betty foi chamada para trabalhar na Bergdorf como vendedora, onde demonstrou não saber lidar muito com dinheiro, mas ter um apuro enorme na hora de indicar peças às clientes. Ganhou o título de primeira personal shopper da loja de departamentos e é reconhecida há gerações.

A paixão de Betty pela moda começou ainda na infância, quando se divertia nos closets da mãe e da avó e quando sua maior diversão era fazer compras. Depois, durante o casamento, comprava para se distrair.

O livro conta a história de Betty em detalhes, desde a criação rígida em Chicago até seu trabalho atual, onde dá dicas preciosas a vendedoras, como oferecer primeiro os produtos mais comuns ao cliente e só no fim os mais ousados.

Atelier

Outra descoberta, essa feita pela minha amiga Gabi, que me indicou ontem no fim do dia, é a série Atelier, que é o primeiro dorama (forma que são chamadas as séries orientais) exibido pela Netflix brasileira.

A série mostra a história de Mayuko, uma estudante de moda apaixonada por tecidos, que vai trabalhar em um renomado ateliê de lingeries. Sim, a história lembra muito O Diabo Veste Prada 9desde a menina desleixada, que não sabe se vestir, até lições para quem acha moda fútil), mas tem um quê mais provocativo.

Mayuko, por exemplo, não entende por que modelos precisam sofrer tanto para ficarem magras, ou o motivo de uma grife investir milhões em testes de peças que vão para o lixo, ou então como o estilista abre mão do trabalho autoral para agradar ao cliente. Quase tudo é devidamente explicado no decorrer da história, mas nos faz questionar um pouco mais esse sistema que, por muitas vezes, parece tão disfuncional.

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Cuisine: mousse de manga refrescante

CuisineNão sei vocês, mas nessa época dou total preferência a alimentos mais leves. Parece que o calor pede algo assim, que cai melhor no estômago e se for refrescante, é melhor ainda.

A receita de hoje une justamente todos esses elementos. Uma mousse de manga que leva hortelã, não leva muito açúcar e é super saborosa. A cor é super viva e, o melhor, sem corante nenhum. Vamos ao que interessa?

Mousse de manga refrescanteIngredientes

  • 3 mangas grandes processadas ou batidas no liquidificador junto com a quantia de hortelã que você quiser
  • 5 claras
  • 2 colheres de sopa de açúcar mascavo
  • 1 pacotinho ou uma folha de gelatina sem sabor

Preparo: Comece batendo as claras em ponto de neve. Enquanto isso já deixe a gelatina hidratando.

Misture as mangas, o açúcar e a gelatina. Vai ficar uma mistura líquida, mas consistente. Junte as claras em três etapas, misturando lentamente, para elas não perderem o ar que foi adquirido no processo de bater.

Leve para a geladeira por aproximadamente três horas e sirva geladinho.

Profile: Sandra de Almeida

Profile

A entrevistada do Profile de hoje é a arquiteta Sandra de Almeida, que encabeça o escritório de arquitetura que leva seu nome. Arrojada, busca referências no mundo e mostra uma pluralidade de inspirações, aplicadas nos mais diversos tipos de projeto. Gosta de incluir toques de cor e tem o estilo do cliente como prioridade. Apaixonada por projetos de interiores, desde criança se encantava com a estética dos ambientes.

Sandra Almeida

Blog Douglas Petry – Por que a arquitetura?

Sandra de Almeida – Eu amo a arquitetura. Desde sempre quis estudar isso, nunca tive dúvidas. A minha única dúvida foi o que seguir dentro dela. Eu sempre soube e gostei de design, de interiores, decoração. Também tenho afinidade com moda, que considero andar muito junto, nas tendências, estampas, cores e mudanças rápidas.

BDP – É um mercado cada vez mais forte?

Sim, as pessoas estão valorizando muito a arquitetura. Nosso padrão de moradia mudou muito. Passamos de casas grandes para apartamentos muito pequenos e carregamos muitas coisas conosco. É preciso se adaptar.

Um casal jovem que se muda para um apartamento de 60m² comparado com uma casa maior, mesmo que dividida com os pais, sente um impacto. Muitas vezes não se faz ideia de como organizar tudo o que tem dentro desse espaço. Na verdade é uma adaptação de vida. Mudam os hábitos, o dia a dia. As pessoas precisam muito de ajuda para fazer essa organização.

Às vezes me procuram e dizem que poderão fazer o projeto no momento, o que é compreensível, porque fizeram um investimento muito grande na compra, mas logo depois voltam porque tentaram sozinhas e não deu certo, o resultado não ficou do jeito que queriam. Na loja o móvel tem todo um estilo por trás, se não for algo planejado, pensado para se adaptar ao que a pessoa gosta, não fica bacana.

BDP – E o papel do arquiteto é desvendar o que o cliente gosta, né?

Isso. O vendedor da loja não se envolve com a história e os gostos da pessoa. Quando me contratam eu digo que vou virar praticamente parte da família, porque é uma ligação muito grande que temos por um tempo. Entramos bem a fundo na vida delas.

BDP – E tu achas que caiu um pouco por terra a ideia de que ter um arquiteto era coisa para rico?

Mudou muito essa cultura. Todo mundo se igualou um pouco. O padrão das pessoas está muito parecido. Pelo menos no meu círculo de amizades e clientes, a maioria são jovens, que estão começando a vida, comprando o primeiro imóvel. Eu busco muito esse tipo de cliente. Porque eu estou crescendo, eles também, então fazemos isso juntos. Eu quero acompanhar isso. Hoje eu posso estar fazendo uma sala e no futuro a casa inteira.

Hoje o arquiteto é mais para a classe média, que tem a necessidade de adaptação do ambiente, do que pessoas muito ricas, que têm mais espaço para organizar. Às vezes 10 centímetros fazem toda a diferença no projeto. As medidas são muito importantes e o olho do arquiteto já está treinado para perceber o que cabe ou não.

BDP – Qual a importância de ter referências culturais, visuais, além da experiência profissional?

Hoje, com Facebook, Instagram e Pinterest, temos referências o dia todo. Se algo acontece na Europa, logo ficamos sabendo. Antes de começar um projeto eu sento para ver algumas ideias. Muitas vezes percebo as tendências e em cima disso eu tiro um norte para o projeto.

Acontece dos clientes virem com imagens e dizendo que querem fazer igual. Mas não é tão fácil adaptar um projeto a outro. Na verdade cada espaço é muito peculiar. O que dá pra fazer em um ambiente, em outro, com a mesma área, não é possível. Referências de mostras como Casa Cor, principalmente, são complicadas. A casa da feira não é montada para ser usada, e muito do que está lá não funciona no dia a dia.

Eu fico muito ligada em tendências, feiras, eu adoro viajar. É bom estar sempre por dentro para se inspirar, mas não para copiar. Todos os projetos do escritório sou eu que crio. Tenho duas pessoas trabalhando comigo, mas a parte de criação eu faço questão de fazer. Claro que não dá pra fazer isso a vida inteira. Existem escritórios muito grandes, com projetos enormes, que não tem como. Mas hoje eu ainda prezo por isso.

BDP – O que diferencia um bom arquiteto?

Eu acho que é justamente os que estão antenados para buscar referenciais e sabem o que está em alta, estando a frente do que é comum no momento. Por exemplo, eu sei o que vai estar em alta em 2016 e 2017. Às vezes coloco algo que ainda não foi visto em um projeto e o cliente fica inseguro, mas no fim da obra eles veem que era o certo.

O atendimento ao cliente também é muito importante. As vezes não posso atender um telefonema, mas mando uma mensagem ou, se for muito urgente, peço para a minha equipe entrar em contato.

Outra coisa que eu cuido muito é respeitar o dia a dia das pessoas. Eu não posso impor o que estará no projeto. Eu posso argumentar algumas coisas, mas se o cliente achar outra ideia melhor, eu preciso respeitar. A arquitetura tem muito a ver com bom gosto, e o que é bonito pra mim, pode não ser pra ti. Por isso é importante ter vários estilos de arquitetos.

BDP – Tendência ou identidade?

Identidade. As duas coisas devem ser equilibradas, mas se for para escolher, eu preciso respeitar as características do cliente. Claro que eu preciso gostar do projeto, mas ele precisa ter a cara de quem for viver lá. Não adianta colocar algo que a pessoa não goste.

BDP – Quais os desafios de tocar um escritório de arquitetura?

Conseguir conciliar tudo. É preciso sentar para projetar, estar em contato tanto com o cliente com a obra e isso tudo multiplicado pelo número de projetos. O arquiteto é o ponto de ligação entre o cliente e o fornecedor. Então é preciso agradar o cliente, mas sem criar um atrito com o fornecedor, porque o andamento só dará certo se tiver quem execute.

Eu fico muito feliz quando o cliente gosta do projeto. A indicação é a melhor prova disso. E posso dizer que em torno de 80% dos meus clientes vêm porque me indicaram. Esse é um grande reconhecimento.

BDP – Para finalizar, quais são as tuas tendências aposta para os próximos anos?

Acredito que ano que vem e em 2017 veremos muitos tons de azul, desde os acinzentados, até o jeans, brincamos que serão 50 tons de azul. Muito metal, como cobre e ouro, que aparecem em papeis de parede imitando placas de metal, porcelanato que reproduz a aparência de aço. Mármore, desde o verdadeiro até versões feitas em porcelanato e papeis de parede.  Formas geométricas em todos os materiais. Também têm as estampas jungle, que imitam florestas, folhas, dando uma conexão com a natureza. E, por fim,  alguma inspiração surrealista, estampas menos comuns. Hoje em dia as tendências demoram para caírem em desuso. Por exemplo, o móvel em laca entrou há uns cinco anos e está ai até hoje.

Foto Sandra: Daniela Algayer/Rose’s Fotos/Divulgação

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