Moda e arte: que flerte é esse?

Prada grafitti 2A imagem acima se tornou muito conhecida este ano. É do desfile de verão 2014 da Prada. Miuccia Prada buscou inspiração no universo da arte de rua para criar a estamparia de sua coleção. Logo esse flerte da moda com o artsy virou assunto nas principais revistas do mundo. A estilista italiana buscou no grafite referências, principalmente em nomes como El Marc, Mesa e Gabriel Specter (vale googlar cada um deles e se surpreender com seus trabalhos).

Chanel ArtsyNa mesma temporada a francesa Chanel, comandada por Karl Lagerfeld, fez uma incursão no universo das artes. Sua passarela reproduziu uma galeria de arte e estampas retratando pinceladas e até mesmo acessórios imitando instrumentos usados por artistas fizeram parte da coleção. Muitas cores em fundos lisos, principalmente o branco, deram a impressão de que as roupas eram telas a serem preenchidas com obras artsy.

Yves Saint Laurent MondrianNão se pode falar na relação de arte e moda sem citar Yves Saint Laurent. Foi a visão artística sobre a roupa que o transformou em um dos maiores estilistas de todos os tempos. Para quem não sabe, em 1962 fez sua primeira coleção após uma saída conturbada da Dior (Quando Christian Dior morreu, foi eleito designer da grife. Por problemas de depressão, foi demitido enquanto fazia sua segunda coleção para a maison). A primeira coleção própria foi satisfatória, mas não surpreendeu o público e não foi suficiente para fazê-lo ter o reconhecimento que almejava. Em 1965, ao ver um livro de arte, encontrou inspiração nas pinturas de Mondrian para criar aquela que seria sua coleção mais conhecida e que o alçou à fama mundial e conferiu o status de grife do momento.

Yves Saint Laurent Van GoghDurante anos seguintes, buscou inspiração em diversos movimentos artísticos e artistas, como Monet, Picasso, George Braque, Serge Poliakoff e Van Gogh (referência dos looks da foto acima, coleção primavera/verão 1988). Saint Laurent comprovou que o mundo da moda andava em paralelo com as artes. Não acreditava na moda como uma forma de arte, mas mesmo assim ajudou a criar sobre as pessoas uma visão mais atrelada entre os dois movimentos.

Mas por que estou fazendo todo esse bafafá em cima de artes e moda? Uma porque essa é uma das tendências que estão “bombando” por ai nesta temporada. Mas principalmente, para conscientizar da importância de quem estuda ou trabalha com moda estudar o assunto. Conhecer, mesmo que superficialmente, os movimentos artísticos, a estética dos artistas mais famosos e estar sempre ligado no que está acontecendo nesse meio (hoje a arte de rua é uma forte vertente, que, além da Prada, influencia outras grandes marcas), é essencial para um bom profissional.

Moda não se resume a tecidos, costuras e combinações. É um estilo de vida profundo, que exige conhecimento constante e atualização a quase todos os momentos. A base da arte e do design é o mínimo exigido de um profissional da moda para falar com propriedade seja com quem for e poder provar a quem tem a ideia de que moda se resume a futilidade, a importância do assunto, que hoje movimenta um mercado fortíssimo e flerta diretamente com as artes.

Caso ainda exista alguma dúvida: hoje a moda ocupa uma cadeira no Ministério da Cultura, provando que, sim, é um forte influenciador cultural.

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