Florais e tropicalismo para homens

Foi só a Givenchy colocar em suas coleções padrões florais e tropicais, tanto para mulheres quanto para homens, para as estampas virarem mania mundial. Logo elas foram parar em diversas coleções mundo a fora, principalmente das redes de fast fashion. Quando estive na Europa, em abril, vi em todas, da Zara (que fez uma cópia quase exata) até a Bershka.

Foi mania no verão lá de fora, promete ser no nosso também. Sejam rosas ou orquídeas, elas aparecem em várias coleções. As cores são fortes, saturadas. Para quem trabalha em ambientes formais, a tendência pode ser usada com cuidado. Se apostar numa camiseta super estampada com florais, pode-se dar uma neutralizada com um jeans e sapato discreto. Já quem tem uma profissão mais formal, é melhor deixar para usar no fim de semana.

Há tempos venho cantando a bola do floral, mas sei que muitos homens são resistentes ao estilo. Acho besteira aquela visão de que “é coisa de mulher”, assim como muitos falam do rosa. É questão de estilo e depende mais do cara segurar o look do que ser coisa de macho.

Os modelos da galeria são da marca Metropolitan, para o site da Passarela.com . Esses e outros modelos podem ser encontrados nesse link. Eu tenho alguns modelos nesse estilo, que comprei quando estava viajando. Guardei até o verão, pra não receber tantos olhares tortos na rua. Acredito que vendo na vitrine das lojas, as pessoas já ficam menos receosas quando alguém usa uma novidade.

foto 1foto 2Aos poucos a tendência pega. Ou espero que pegue. Mesmo assim, não deixarei de usar.

Jessica Lange canta David Bowie

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Tenho uma relação de amor e ódio com American Horror Story. Viciei na primeira temporada a ponto de acompanhar os episódios toda semana, coisa que faço com poucas séries. Depois, na segunda, me desanimei no começo, mas achei o fim incrível. Já a terceira, achei uma piada pronta. Parecia uma série de adolescentes com pitadas de suspense. Um horror.

Para quem não sabe, a AHS está na quarta temporada e agora fala sobre os medos e mistérios do circo. Quem nunca teve medo do palhaço ou temeu aquelas pessoas que vivem na estrada? Ao contrário do Brasil, nos Estados Unidos, os circos lembram mais parques e, durante muito tempo, tinham como principais atrações pessoas com anomalias, tipo a famosa mulher barbada, os homens azuis, os homens mais altos do mundo, e por ai vai. É chamada de American Horror Story Freak Show.

A série pegou todo esse lado sombrio e vai tratar do universo do circo, juntando um monte de personagens bizarros e misteriosos. Mas não é disso que quero falar, e sim dela, que é a musa de AHS, que está desde a primeira temporada, Jessica Lange. Ela já foi a vizinha metida, a freira sádica e a bruxa má. Agora, na divulgação da season 4, ela aparece divinamente cantando Life on Mars, de David Bowie.

Bom, vou parar de falar e deixar vocês com o que interessa. Com vocês, Jessica Lange, interpretando Bowie:

Alexandre Herchcovitch no Minas Trend Preview

Percebo que aos poucos as semanas de moda nacionais estão engrenando num ritmo interessante. As marcas que desfilam suas coleções, principalmente no São Paulo Fashion Week, pretendem mostrar o conceito, não abrangendo tanto a parte comercial das peças. É para isso que serve esse tipo de evento.

Para coleções comerciais, existem propostas paralelas. No Rio de Janeiro, ao mesmo tempo que ocorre o Fashion Rio, há o Rio-à-Porter. Em Minas Gerais, o Minas Trend Preview abre os desfiles das temporadas mostrando coleções ready to wear de excelentes marcas mineiras e, aos poucos, nacionais.

Quem começou a desfilar na temporada de outono/inverno do Minas Trend Preview foi Alexandre Herchcovitch. Um mês antes do SPFW deu um gostinho do que se verá na passarela paulista, mas de maneira mais comercial. As linhas do estilista são conhecidas pela ousadia, bem como suas apresentações. Apostar em um evento deste porte, com renome nacional e que não deixa de lado o trabalho autoral dos profissionais, é um acerto. Aqueles que apenas veem um Herchcovitch ousado, podem conhecer seu lado pronto para ir às araras (o que ocorre no mesmo local, sendo que todas as marcas que desfila têm um showroom para comercializar as peças aos compradores de lojas).

A coleção foi básica. Herchcovitch retomou seu lado mais dark, do início da carreira, pesando a mão no preto e no cinza. Uma linha basicamente neutra. Mas nada fica desinteressante nas mãos dele, que usa de tecidos nobres, uma alfaiataria bem cortada e modelagens amplas, muitas vezes à lá anos 60, outras desconstruídas e reconstruídas.

Pretos e cinzas

Poucas cores entram na coleção de inverno de Herchcovitch. Aposta no vinho, laranja e azul escuro, usados ora sozinhos, ora combinados com o preto e cinza predominante.

Pontos de cor

As estampas são tão discretas quanto o uso de cores. Apenas florais que remetem a jacquards e quadriculados, que lembram cercados, dão a ideia de um jardim inglês invernal, em tons terrosos e discretos.

Estampas

Pode-se dizer que Herchcovitch ousou mais para os homens do que para as mulheres. Para eles, propôs o mesmo preto e cinza predominante, mas pontuou com azul e vinho. A estamparia foi um ponto forte da coleção. Poás grandes, calças com estampas quadriculadas e abstratas, assim como camisetas. A modelagem é ampla, prezando pelo conforto. Outra vez a alfaiataria bem cortada apareceu, mas misturada com parkas e outras peças com pegada esportiva.

Masculino

Fotos: Agência Fotosite

Flawless Remix – o clipe

flawless-remixEis que hoje foi divulgado o clipe oficial do remix de Flawless, com Beyoncé e Nicki Minaj. O vídeo é o mesmo do show On The Run Tour, gravado em Paris, que Queen B fez ao lado do maridão Jay-Z. Dá o play ai pra conferir.

Coluna Moda Mundo – 10 de outubro

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#MaratonaMude

Uma enxurrada de conhecimento

No último sábado acompanhei, em Porto Alegre, a Maratona Mude, um evento promovido pela Abicalçados e Brazilian Footwear, com o intuito de levar conhecimento nas áreas de tecnologia, criatividade, imagem e branding experience para profissionais da moda. Diversas palestras durante todo o dia mostraram a importância de pensar fora do comum.

A palestra do escritório de estilo WGSN mostrou as principais tendências da temporada de inverno do Hemisfério Norte, que valerão no Brasil em 2015. Destacou quatro macrotendências: Luxe Casual, marcada por um novo minimalismo, o Nouveau Bohemia, que valoriza estampas e trabalho artesanal, Miss Modi, com força na androginia, e Outdoor Urban, vindo de referências esportivas.

Clayton Carneiro e Ítaloo Massaru, diretor criativo e diretor de arte da Vogue Brasil, falaram um pouco sobre a maior revista de moda do país, que está entre as seis mais importantes do mundo, dentro do título. A prioridade ao pensar uma edição é valorizar a cultura local, buscando entender o que as leitoras entendem como moda. A brasilidade é o carro chefe na hora das produções, mesmo usando muitas vezes fotógrafos e modelos internacionais. Em minha próxima coluna publicarei uma entrevista que fiz com Massaru.

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O estilista João Pimenta, que dedica seu trabalho à moda masculina de maneira incomum, falou que em seu processo de criação olha para dentro do país e acha referências para o trabalho. “A mulher se diverte com a moda. O homem tem um limite muito radical, porque acha que a roupa define a sexualidade.” Sobre a ousadia, marca registrada de suas roupas, diz: “Para conseguir emplacar uma ideia, é preciso explicar ela. O argumento é essencial.” Assim, chega a propôr colants e saias masculinas, que caem no gosto de alguns homens.

Pimenta cria tecidos próprios para algumas peças. Em uma de suas coleções, teceu junto ao tecido fios de cabelo e crina de cavalo, em outra, apostou na palha como matéria-prima. Tudo isso chega a suas coleções comerciais. O conceito da passarela, segundo ele, serve de inspiração para as roupas que levará para a loja. O lucro vem, na maioria das vezes, de licenciamento de produtos em parceria com outras empresas.

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Entre os palestrantes estava a lajeadense Roberta Weiand, que já teve passagem pela marca D&G, pertencente à Dolce & Gabbana, e agora trabalha em seu aplicativo, Pret-à-Template, que foi apresentado na ocasião. Um passo importante para uma região onde a moda se mostra em um desenvolvimento moroso e pouco animador.

O verão 2015 de Sergio K

Cá entre nós, o mercado de moda masculino é um tanto quanto morno. Poucas marcas fazem barulho e mostram ao que vieram. Os estilos costumam ser básicos e, quando um acerta, todos costumam copiar. Basta ver as camisetas da Calvin Klein que são replicadas como água, ou os tênis da Osklen, que ganham “versões” em diversas marcas, até mesmo as renomadas. Há uns anos conheci uma label ainda jovem, que eu comprei pela internet. Sergio K me conquistou com uma camiseta que tinha sua principal característica, uma frase engraçadinha. Ela dizia “girls just wanna have funds”, fazendo um trocadilho com a “Girls just wanna have fun”.

Desde então tenho acompanhado o trabalho da grife de um cara característico da sociedade alta paulista, que não tem medo de ousar e de fazer uma cagada ou outra de vez em quando, como foi o caso das camisetas temáticas da Copa. Hoje dá pra se dizer, aliás, que a Sergio K é a Osklen do paulistano. Todo cara que quer ser cool e ostentar um pouquinho, usa suas peças, que não têm um valor lá tão acessível.

Sergio K 1Outra característica da marca é fazer campanhas ousadas, com homens mostrando o corpo, atraindo, assim, até mesmo a mulherada. Sergio não se tornou conhecido apenas pela roupa, mas também pelo lifestyle. Em sua loja, são vendidos produtos de decoração, aromas, cosméticos e tudo o que o proprietário achar que combina com o estilo de vida de seu cliente. E anualmente, quem causa burburinho não é nenhuma coleção, mas sim a festa de aniversário do proprietário, que dá baladas de arromba e cria o evento mais desejado da capital paulista.

Sergio K 4Sobre sua coleção de verão, Sergio apostou nas modelagens básicas, por isso temos muito jeans skinny, camiseta mais justa, bermudas de surf, alguns modelos urbanos (essas batendo abaixo do joelho). Seu forte está nas estampas e cores. Uma calça laranja, camisas multi coloridas e alguns tons doces pontuam cores neutras, como o branco (que predomina), o preto e o jeans. As estampas, claro, são divertidas. Tem de maconha a frases engraçadas e nomes de praias nas golas de polos. Nos pés, tênis casuais aparecem, mas o predomínio é de mocassins, os queridinhos da temporada.

Na galeria abaixo, dá pra conferir todas as minhas preferidas e umas imagens do modelo sem camisa pra fazer as meninas e as gays felizes.

Esse tal de normcore

É uma tendência, mas mais ainda, um estilo de vida. Sabe aquelas pessoas que não se produzem nada, mas tu olha pra elas e parecem super estilosas? Pois elas vivem naturalmente o Normcore. Seus looks são compostos por peças básicas, sem muitos acessórios e com cara de “I don’t care” para o visual. Algo assim:

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Durante muito tempo o termo hipster definiu pessoas antenadas na moda. Ganhou tanta força que seus elementos básicos, como óculos de sol de armação retrô, homens com barba mal feita (ou muitas vezes grandes), e a paixão pelo antigo, se popularizaram demais e se tornaram ultrapassadas. Para muitos o movimento chegou ao fim.

Daí que, ao contrário do hipster, a atitude normcore é ser diferente no meio da multidão, sem fazer um estardalhaço fashion para ser notado. Como “mestres” do movimento estão o presidente americano Barack Obama e o criador da marca Apple, Steve Jobs. O pouco cuidado com o que vestem, sempre apostando no básico, os tornaram ícones.

Além de evitar o chamativo, apenas usar peças confortáveis, e não seguir a moda e sim vestir o que gosta ou talvez nem pensar sobre o que está vestindo são características do normcore. O fenômeno normcore foi identificado por uma empresa de previsão de tendências chamada K-Hole e , em seguida, apareceu na “New York Magazine” em fevereiro.

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Mas fica a dúvida: quem realmente é normcore e quem apenas está querendo usar do estilo para estar “na moda”? Acredita-se que, assim como o hipster, não demora para a tendência se disseminar. Muitos questionam se vale a pena as marcas brasileiras investirem no estilo, sendo que o pessoal por aqui gosta de um certo exagero.

Porém, analisando friamente, é o momento certo para o normcore dar as caras. Com o mercado geral em crise, as vendas de roupas tendem a cair e, convenhamos, nenhuma marca deseja produzir peças e mais peças que fiquem encalhadas, porque ninguém quer comprar uma tendência super exagerada. Vamos esperar pra ver se pega ou não.

Mas e pra ser normcore, como faz?

Normcore men 3Basicamente o normcore tem algumas “peças chave” que, quem quiser aderir, pode dar um jeito de conseguir. Vamos lá:

  • Começamos pelos pés. Sim, o modelo bizarro de sandália Birkenstock, que durante muito tempo esteve sumido e foi brega, voltou e todo normcore que se preze deve ter um.
  • Peças lisas ou com estampas mega discretas. Nada de xadrez, bigodes e outros desenhos da tribo hipster, hein? Tem que ser basicão.
  • Modelagens grandes. Nada justo, como os hipsters (parecem tribos rivais, né?). Aposte na boa e velha camisa enorme, tipo anos 90, ou no jeans reto. Nada que seja desconfortável entra no armário de quem segue o normcore.
  • Pouco ou zero acessório. No máximo uma correntinha, relógio ou um óculos de sol. Nada de usar tudo de uma vez, claro.
  • Cores neutras. Pode usar laranja? Até pode, mas não é o ideal. Um normcore que se preze fica na cartela básica de preto, branco, laranja e um marrom, no máximo.

Mas a principal dica dessa tendência, creio eu, é: seja você. Se, assim como eu, o normcore não te agradar, simplesmente ignore e continue usando suas estampas, roupas exageradas e calças justas. O que importa é ter um estilo que te faça feliz.