Marcas, olhem por nós

Saint Laurent Men 1É inegável uma relação cada dia mais estreita do homem com a moda. Não digo com a roupa, mas sim com a moda (isso envolve um todo, desde a preocupação com estar bem vestido, na moda, até com os cuidados estéticos). Dia desses durante um almoço com o diretor de redação do jornal onde trabalho, ele comentou que estava surpreso com o aumento de novidades na moda masculina. Percebia que cada vez mais o marasmo do neutro dava espaço à tendências e modismos, assim como ocorre com a moda feminina.

Acredito que muito disso se deva à globalização. Hoje o homem não se limita a referências próximas. Blogs de street style e sites de moda trazem o que é tendência do outro lado do Oceano em poucos minutos. Essa informação levada aos formadores de opinião que, consequentemente, influenciam seus seguidores, obriga as marcas a terem o produto em suas araras. Caso contrário, perderá clientes, pois a tecnologia trouxe, inclusive, a facilidade de comprar até mesmo da China, onde as tendências sempre estão sendo atualizadas em tempo real.

É inegável que o foco no universo masculino ainda é pequeno. Basta olhar as semanas de moda nacionais. Na última edição do São Paulo Fashion Week e do Fashion Rio, apenas o desfile do estilista João Pimenta foi dedicado exclusivamente aos homens. De resto, apenas marcas com pitadas de looks masculinos (basicamente numa proporção de 70% femininos para 30%). Enquanto isso, no exterior, fashion weeks exclusivas para as grandes labels mostrarem suas coleções para eles são organizadas e bem sucedidas.

Saint Laurent Men 2No Brasil, poucas marcas se dedicam exclusivamente aos homens. Não pode-se falar desse assunto sem citar a Reserva, que faz isso com bom humor. Outra marca relevante na moda masculina nacional é a Osklen, que por muitas vezes faz mais sucesso com eles do que com as mulheres. João Pimenta (já citado), faz uma alfaiataria riquíssima, com cara jovem e atual, mas agradando um público pequeno, que tenta fugir do tradicional terno de corte italiano e afins.

Aos poucos novas marcas, antes dedicadas exclusivamente ao feminino, começam a enxergar uma possibilidade de público nesse filete de mercado. Fause Haten, conhecido pela sua moda festiva e exagerada, começou a produzir peças masculinas. Muito paetê e estampas fazem parte de suas coleções. A próxima a se aventurar por esse segmento é a Têca, comandada por Helô Rocha. A linha para homens deve seguir a mesma linha da feminina.

Saint Laurent Men 3Fato é que, aos poucos, começamos a ter opções. Embora tenha citado apenas marcas mais caras, vale lembrar que as redes de fast fashion também investem em nós. Grandes redes oferecem opções tão tendência quanto marcas renomadas. Por exemplo, a Pompéia, uma das redes mais populares que conheço, oferece até jeans color a preços amigáveis (lembro quando comprei minha primeira calça colorida – há uns cinco anos – e precisei mandar vir de Porto Alegre, e paguei bem caro). Claro que, nesse caso, a triagem de peças deve ser maior e a seleção mais criteriosa. Nem toda camiseta tem uma estampa bacana, as vezes as camisas e casacos têm bordados que estragam a peça e coisas do tipo.

Mas, para um público que até pouco tempo se limitava a peças básicas e sem graça, enquanto olhava blogs de street style com homens super estilosos, isso já é uma luz no fim do túnel.

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