A felicidade está em uma peça de roupa

Can fashion make you happyEstá na capa da Harper’s Bazaar britânica de agosto: “A moda pode te fazer feliz?” Essa pergunta, acredito, deve ser cada vez mais presente na rotina das pessoas. Já parou pra pensar em quantas vezes a mídia mostrou a compra como a solução de todos os teus problemas? Quantas personagens de novelas e séries brigam com o marido, enfrentam problemas no trabalho, ou se afetam de alguma maneira na vida pessoal e vão descontar suas frustrações nas compras?

Em Os Delírios de Consumo de Becky Bloom isso é refletido de maneira muito clara. Segundo Becky “Quando eu compro o mundo melhora”. Ter a bolsa do momento, o sapato da temporada, ou a roupa das passarelas gera, além de status, para muitos, um prazer indecifrável. Mas por que? Simples. Vivemos em uma sociedade de consumo, onde somos levados a desejar tanto um produto a ponto de pensarmos que ele é capaz de mudar nossa vida. Muitas vezes ter é mais do que ser, comprar algo é um passaporte para que ela pertença a um grupo de semelhantes.

Agora, vamos parar e refletir: aquela bolsa da vitrine, vai mudar alguma coisa na tua vida, caso tu tenhas alguma outra, em perfeito estado de uso e não precisar de uma nova? Não. Mas o desejo por termos algo atual é tanto, que nossa ideia gira em torno de uma mudança que um bem material supérfluo não é capaz de proporcionar. O que poucas vezes paramos para pensar é por quanto tempo vai durar a felicidade gerada pela compra, seja da roupa ou qualquer outro bem que não precisamos para sobreviver.

Quando fazemos uma compra certa, de algo que realmente usaremos por muito tempo, o prazer é prolongado. Nos orgulhamos por mais tempo por ter feito uma aquisição bem sucedida (de uma peça de roupa que usaremos por mais tempo, de um sapato que durará mais), do que daquela que fazemos por impulso, que chegamos em casa e atiramos a peça no fundo do armário e nem lembramos que temos ela.

Frase ChanelÉ claro que (em especial nessa época de renovação de coleções e etc), temos o desejo de comprar a loja inteira. Afinal, quem não gosta de uma novidade. Mas antes de sair por ai gastando como uma louca, vale a pena pensar no que realmente precisamos. Faço o exemplo com uma camiseta que vi em uma loja. Ela custava R$ 150, um preço nada barato, convenhamos. Refleti e percebi que o valor daquela única peça, equivalia a uma diária num hotel em Buenos Aires. Na hora devolvi ela pra arara e saí da loja feliz.

A verdade é que precisamos pensar em nossas prioridades. A minha, no momento, é viajar. A sua pode ser comprar uma casa, um carro, ou (por que não?), renovar o armário. Acredito que a moda possa sim fazer uma pessoa feliz. No entanto, é preciso refletir sobre o que é realmente necessário comprar. Em um mundo onde o fast fashion produz uma oferta de produtos tão grande, sermos conscientes de onde gastamos nosso dinheiro é essencial. Compra inteligente não é aquela feita por impulso ou ditada por outra pessoa que nos lista os famosos “essenciais” do armário. E sim quando adquirimos um produto de qualidade, que se encaixa no nosso estilo e compõe um armário com a possibilidade de se usar por muito tempo.

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