Wannabe a web celebridade

Nunca quis fazer fama na internet. Tenho o blog para dividir minhas opiniões e divagações. Um Facebook para manter contato com amigos e divulgar um pouco do meu trabalho. Uma conta no Instagram para ver fotos da vida alheia e me divertir fazendo as tais hashtags. Tamanho meu web anonimato, que na maioria das vezes minhas postagens não atingem nem 20 likes.

Pra mim, uma pessoa que chega aos 40 likes é vitoriosa. Passando dos 100, está no Olimpo. Passou dos mil, é uma figura indecifrável. Nem quando estive em Paris e postei uma foto na Torre Eiffel cheguei a tanto. Sim, sou um web loser. Mas sou feliz. Nunca tinha tido o gosto da fama, até que…

Chiara 1… postei essa foto. Um copo de café, um óculos de sol e uma revista aberta em uma produção com a blogueira Chiara Ferragni, do blog The Blonde Salad. Marquei ela e a revista (Glamour), na mais bela e pura inocência. Primeiro o perfil da publicação deu um like na minha foto. Depois veio o divisor de águas da minha mundana vida virtual.

Chiara curtiu

O perfil da Chiara (que eu duvido que seja ela que controle), curtiu a imagem. Foi então que começou uma enxurrada de likes. Nunca tinha vivenciado isso (hoje somam 90. Digo hoje, porque todos os dias alguém curte). Aliás, meu celular nem estava acostumado. A bateria durou muito menos do que o normal. Tive um gostinho do que um instagramer que tenha o mínimo reconhecimento (ao contrário de mim), passa o tempo todo.

Foi ai que recebi um e-mail de um desconhecido, me oferecendo a tal fama virtual, ali, entregue de bandeja. Queria me vender planos para comprar seguidores. Cada 10 pessoas (ou seriam robôs?) me custariam R$ 3, e eu teria a garantia de que eles não abandonariam o barco, mesmo que ele afundasse. O argumento do desconhecido era que eu tive uma foto com muitos likes e poderia manter isso, tendo em vista os poucos seguidores e curtidas em outras fotos que já havia recebido.

Minha vida não tem nada de emocionante (tirando os momentos que ando distraído pela rua e tropeço ou quase sou atropelado). Aliás, passa longe disso. Só o número de fotos de xícaras que estão no meu Instagram, poderia encher uma galeria. Não sei o que as pessoas gostariam de seguir na vida de um jornalista sem vida social. Mas a oportunidade estava ali, nas minhas mãos. Quem sabe uma marca me conhecesse e faria uma proposta de parceria? Empolgante.

Ser uma web celebridade não é fácil. Conquistar seguidores menos ainda. Porém, naquela tarde, o número de pessoas que me acompanhavam na rede social passou de 500 e poucos pra uns 500 e tantos. Isso que a blogueira só tinha curtido uma foto em que a marquei. Logo imaginei que suprassumo seria se tivesse tirado uma foto ao lado dela e ainda levado de bagatela um like. E se ela me seguisse? Minha vida on line mudaria para sempre, creio.

Fiz alguns testes nos últimos dias. Postar uma foto com as hastags “blog”, “blogger”, “fashionblog” e “fashionblogger” rende alguns likes interessantes (isso já faço há algum tempo). Curtir fotos nas marcações, mais ainda. É uma espécie de troca, eu te curto, tu me curte. Alguns, mais caridosos, até te seguem. Conversando com uma amiga sobre o que atrai os likes na rede social (ela estuda o assunto desde 2010, quando o Instagram surgiu), soube que os pratos de comida já fizeram mais sucesso, assim como as paisagens.

As tags da vez são “ootd”, “tbt” e “selfie”. Rendem mais do que qualquer outra. Ela alertou que pra ser um instagramer de sucesso, o negócio é pegar carona não nas tags hypes (como as citadas acima), mas sim nas que estão crescendo aos poucos. O pessoal bacana do Instagram, aqueles que te olham e dizem “you can’t sit with us”, não curtem nada muito popular. E quando eles te dão um like, sai da frente, porque a manada vem a seguir e a tua chance de sucesso se multiplica. Ter alguém famoso na imagem (meu caso), atrai os fãs, mas esses muito infiéis, porque te abandonam quando veem que tu não é um seguidor fanático da estrela deles.

Outro segredo de quem faz sucesso no Instagram é sempre ter fotos bem produzidas e muito pensadas. Algo profissa mesmo. Sabe aquela foto aleatória que tu tirou de um grafite na rua? Quase não importa pra ninguém. Mas monte uma cena em volta, acrescente uma pessoa com um #lookdodia interessante usando uma bolsa Chanel, com o óculos de sol Dior da vez, para ver o sucesso.

Com tags ou sem tags, com produção ou sem, fico em dúvida sobre a validade de fazer tanto esforço para ser uma celeb virtual. Deve ser viciante planejar uma vida perfeita para mostrar nas redes sociais e esquecer das coisas pacatas da vida real. E falando nisso, dá licença, porque vou preparar um chá e postar mais uma xícara aleatória no meu Instagram.

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