Sobre peças eternas e roupa barata

Confesso que durante muito tempo tive a ideia de que apenas roupas caras eram dignas do meu “investimento”. Comprava, sim, pela marca, achando que conquistaria a qualidade que desejava. Mas, o tempo ensina e aprendi que nem tudo são flores nesse mundinho das grifes. Muita coisa é feita com tecido vagabundo, muito acabamento é mal feito e muitas roupas vêm prontas da China.
Com o amadurecimento e experiência na moda, me dei conta que nem tudo o que reluz é ouro. Que a roupa que está linda na arara as vezes não vale nem a metade do que se cobra e, em alguns casos, pode ser encontrada (sem mudar sequer um detalhe), por um preço muito menor numa loja próxima, mas menos conceituada (hoje, compro em poucas lojas caras, e apenas nas que sei que oferecem produtos de qualidade).

Confessions of a shopaholic

Quando viajei, comprei pra caramba em lojas populares. Zara, H&M e Breshka eram meus pontos preferidos pra comprar peças super tendência do verão europeu gastando pouco. Até então tinha comprado pouca coisa em redes de fast fashion (fiquei quase um ano sem comprar roupas, esperando pela viagem). Depois que voltei, meu olhar sobre a moda mudou.

Passei a ver que comprar em loja barata e pagar pouco por uma roupa era tão bacana quanto comprar numa loja cara, apenas pelo status da etiqueta. É claro que numa magazine popular tu vai ter que saber fazer uma seleção muito mais pesada do que tu vai comprar. As vezes vai encontrar uma peça super bacana, mas que tem um detalhe que estraga tudo. Ou vai ver que o acabamento é péssimo e o tecido não vai durar uma temporada. Selecionar é essencial.

Desde que comecei a trabalhar com moda, ouvi falar nas peças essenciais. Aquela que toda pessoa precisa ter no guarda-roupas. Logo percebi a baboseira disso. Quem disse que eu preciso ter um terno clássico guardado, sendo que não preciso me vestir assim no dia a dia e pouco sou convidado para eventos sociais. Isso é balela de editor que não tem o que escrever e resolve fazer uma matéria pouco democrática sobre um assunto desses.

Existem peças eternas? Com certeza. Elas são iguais para todos? Não! Não! Não e não! Se pra uma mulher uma bolsa Chanel 2.55 é linda e irá compôr looks interessantes pelo resto da vida, para outras ela vai parecer antiquada. Se pra uma o vestido preto, básico, vai ser um coringa, para outra, que adora cores e estampa, ele só vai ocupar espaço no armário. A grande graça da moda é quebrar regras e essa ditadura vai justamente no caminho oposto disso tudo.

Chanel 2.55

Hoje, quando compro uma roupa, além de estar consciente se aquilo cabe no meu orçamento, também confiro se ela será útil no meu guarda-roupas. Porque peça pra ficar guardada, apenas ocupando espaço, não faz mais meu estilo. Posso afirmar que tudo o que eu tenho hoje, uso. E tenho camisetas que paguei quase os olhos da cara, mas que não me arrependo de ter comprado, de tanto que já usei. Já tem outras que considerei barato na hora da aquisição que estão lá, paradas. Uma roupa se paga a cada vez que é usada.

Vale refletir sobre o que vale a pena para si mesmo na hora de comprar e não seguir regras bestas sobre os must haves. Esse é o caso do barato que as vezes sai caro e do caro que sai barato. Equilíbrio e reflexão é tudo.

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